Diretor da Fifa renuncia após criticar plano de Infantino para vender participações da Copa do Mundo
Dois dirigentes do alto escalão da Fifa criticaram nesta sexta-feira (31) o plano do presidente Gianni Infantino de vender parte dos negócios ligados à Copa do Mundo para inves...
POR G1 MUNDO
Publicado em 31/07/2026 às 13:13
Dois dirigentes do alto escalão da Fifa criticaram nesta sexta-feira (31) o plano do presidente Gianni Infantino de vender parte dos negócios ligados à Copa do Mundo para investidores privados. Carlos Cordeiro, o principal assessor da presidência da entidade e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, pediu demissão em protesto. "Não posso permanecer em silêncio enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo", afirmou em comunicado. Ele classificou a proposta como "um mau negócio para o futebol". Segundo ele, a medida colocaria em risco um dos ativos mais valiosos do esporte. Outro dirigente da entidade, o diretor de operações Kevin Lamour, também fez duras críticas ao projeto. Em declaração à Associated Press, ele disse que os funcionários da Fifa foram "enganados" pela falta de transparência na condução da proposta. "Esse é o projeto de uma única pessoa", escreveu Lamour, referindo-se a Infantino. Apesar das críticas, Lamour não deixou o cargo. Ele afirmou, porém, que está disposto a enfrentar consequências por defender sua posição. O plano de Infantino prevê a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar os principais negócios comerciais da Fifa. Entre eles estão a Copa do Mundo e os Mundiais de Clubes masculino e feminino. A proposta prevê que 20% dessa nova empresa sejam vendidos a investidores privados. Segundo a Fifa, o principal interessado é uma empresa de investimentos sediada em Nova York e fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Cordeiro, a venda não se justifica. Ele argumenta que a Fifa possui bilhões de dólares em caixa, não tem dívidas e arrecadou cerca de US$ 15 bilhões nos últimos quatro anos. "É hipotecar o futuro do futebol sem uma justificativa convincente", afirmou. Infantino está no comando da Fifa há mais de dez anos. Até agora, ele é o favorito para buscar a reeleição no próximo pleito da entidade, marcado para o ano que vem. A Fifa definiu 18 de novembro como prazo para o registro de candidaturas.