De olho na Copa, bares torcem por vitória da seleção para faturar: 'Jogos rendem até 90% a mais'
Torcedores se reúnem em Manaus para a partida entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo, em 24 de junho de 2026. Reuters Ponto de encontro de torcedores brasileiros durante...
POR G1 ECONOMIA
Publicado em 29/06/2026 às 08:04

Torcedores se reúnem em Manaus para a partida entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo, em 24 de junho de 2026.
Reuters
Ponto de encontro de torcedores brasileiros durante a Copa do Mundo, os bares também têm motivos para acompanhar de perto a campanha da seleção.
O primeiro desafio do Brasil no mata-mata será nesta segunda-feira (29), às 14h, diante da seleção do Japão. Quem vencer avança às oitavas de final. Quem perder, dá adeus ao Mundial.
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Para os proprietários de bares, que esperam casas cheias durante os jogos, a classificação significa mais do que comemoração: representa também um impulso no faturamento.
"Se o Brasil chegar à final, certamente será muito positivo para o setor", afirma o empresário Juarez Alves, fundador e proprietário do Bar do Juarez, que tem seis unidades na capital paulista. "É bom não só pelos negócios, mas também porque a gente torce pela seleção."
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A estreia do Brasil, disputada em um sábado, pouco alterou o movimento na rede de bares de Juarez. Os dois jogos seguintes da fase de grupos, porém, superaram as expectativas.
Na visão do empresário, as partidas em dias úteis geram um impacto maior do que as disputadas nos fins de semana.
"No jogo de quarta-feira [contra a Escócia], o faturamento chegou a ficar 50% acima do registrado em um dia normal", diz. "Todas as nossas unidades lotaram."
O que vale é jogo do Brasil
A Copa do Mundo tem, ao todo, 104 partidas. A seleção brasileira, caso chegue à final, disputará oito. São justamente essas as datas cruciais para os estabelecimentos.
Marco Antonio Moreschi Rossi, um dos proprietários do noPorto Gastrobar, na zona sul de São Paulo, afirma que os jogos de outras seleções tiveram pouca relevância para o movimento.
"Só tivemos uma demanda específica para o jogo entre Colômbia e Portugal, disputado no sábado (27), quando um grupo de 15 colombianos reservou espaço para assistir à partida com a gente", diz.
No noPorto, o cenário tem sido semelhante ao do Bar do Juarez: a estreia da seleção registrou baixa adesão, mas o público e o faturamento cresceram a partir da segunda partida.
"A sexta-feira foi muito boa pra nós. O faturamento aumentou 80% em relação a um dia comum. Já no jogo da quarta-feira, contra a Escócia, a alta foi de 90%", afirma Marco Antonio.
Se as partidas do Brasil determinam os ganhos, quanto mais longe a seleção chegar, maior tende a ser o faturamento, independentemente dos jogos das outras seleções.
O empresário estima que, se a equipe disputar a final do Mundial, o faturamento adicional pode chegar a R$ 80 mil neste mês de Copa. O valor equivale a cerca de 60% da receita mensal do estabelecimento, que normalmente varia entre R$ 140 mil e R$ 160 mil.
noPorto Gastrobar quase dobrou o faturamento durante a partida entre Brasil e Escócia.
Divulgação/noPorto Gastrobar
Seleção ajuda, mas média da Copa não é tão alta
O cenário otimista pode variar de bar para bar. Antes do início da Copa, uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indicava que a maioria dos estabelecimentos esperava elevar o faturamento em até 20% com a competição.
O percentual está dentro das estimativas da rede de bares Juarez. Apesar do pico nos dias de jogos da seleção, o empresário projeta que, no balanço do mês, a Copa eleve a receita entre 10% e 20% em relação a um período comum.
"Existem dois principais efeitos: em um dia, você bomba, com o público consumindo mais. No dia seguinte, há um 'efeito ressaca', que reduz o movimento", explica Juarez.
O empresário lembra que outros eventos, como feiras setoriais e congressos empresariais, costumam atrair público com mais frequência ao bar. "São, muitas vezes, cinco dias seguidos com público de fora da cidade. Isso é muito bom para o fluxo", diz.
No noPorto Gastrobar, onde as projeções são mais otimistas, a Copa tem servido como uma oportunidade de fortalecimento do negócio, explica Marco Antonio.
"Muitos clientes antigos acabam retornando. Além disso, tem muita gente que vem de fora do bairro. É uma oportunidade para conhecerem nosso projeto, nosso modelo de negócio", afirma.
Unidade do Bar do Juarez no Brooklin, na zona sul de São Paulo.
Divulgação/Giuliano Agnelli
Comportamento do consumidor
O g1 mostrou, antes da estreia da seleção, que as vendas no comércio popular de São Paulo dispararam após o anúncio da convocação de Neymar para a Copa. Segundo Marco Antonio, o mesmo ocorreu no bar.
"Até o anúncio, nada se movimentou. Depois, passamos a ver muita gente interessada em assistir aos jogos com a gente. Foi o estopim", diz.
Não à toa, os estabelecimentos têm investido em telões, drinks temáticos e atrações para manter o público além do horário dos jogos. No caso do noPorto, foram contratados DJs e música ao vivo.
Segundo o proprietário, porém, o resultado do investimento foi um pouco frustrante: oito em cada 10 torcedores que fizeram reservas chegaram 15 ou 20 minutos antes dos jogos e foram embora assim que eles terminaram.
"Por outro lado, o ticket médio foi bastante elevado", explica. Ou seja, enquanto os consumidores estavam no espaço, o consumo ficou acima da média, o que garantiu os bons resultados.
Oportunidades para o setor
O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, destaca que a Copa representa mais oportunidades para o setor, especialmente em um momento em que muitos estabelecimentos ainda passam por recuperação financeira.
"Datas e eventos de grande mobilização ajudam a fortalecer o caixa das empresas, aumentar o fluxo de clientes e melhorar o desempenho de um setor que ainda convive com desafios de margem e endividamento", diz.