Coreia do Norte esnoba abertura proposta por Trump a Kim Jong-un
A Coreia do Norte considera que os Estados Unidos não mudaram a “postura ostil” em relação à ditadura comunista, apesar da abertura proposta nesta semana pelo presidente Donald Tru...
POR O ESTADO
Publicado em 20/08/2026 às 05:30
A Coreia do Norte considera que os Estados Unidos não mudaram a “postura ostil” em relação à ditadura comunista, apesar da abertura proposta nesta semana pelo presidente Donald Trump. O americano, por sua vez, disse que vai se encontrar com o líder do regime, Kim Jong-un. O anúncio foi feito, nessa quarta-feira (19), pela influente irmã do ditador, Kim Yo-jong, em um comunicado.
Ela ocupa desde fevereiro um cargo equivalente a ministro no Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, que governa o país como uma dinastia familiar desde 1948. Em tom de esnobada, ela disse que “é verdade” que o irmão tem “boas lembranças do presidente dos EUA e sentimos pessoais positivos em relação a ele. “Mas as relações pessoais entre os líderes dos dois países não podem ser confundidas com as relações entre os dois Estados. A política hostil dos EUA não mudou em nada”, escreveu.
Depois, ressaltou que os EUA ainda assim realizavam exercícios militares com sua rival Coreia do Sul, país que vive um armistício com o Norte há 73 anos. De forma inédita na relação com o governo capitalista da porção sul da Península Coreana, Trump cortou pela metade os exercícios que começaram nessa segunda-feira (17). Assim, os 11 dias de manobras viraram 5, a acabar nesta sexta-feira (21).
“Não vale a pena comentar essa medida, e não temos interesse nela. A natureza provocativa e agressiva desses exercícios não mudará, ainda que sua duração e sua escala sejam reduzidas”, concluiu. A irmã de Kim disse não ter informação sobre contatos de seu irmão com Trump, como o americano havia dito no começo da semana. Questionado ontem sobre reportagem do Wall Street Journal segundo a qual ele queria um encontro ainda este ano, Trump disse: “Sim, vou me reunir com ele”.
O palco para tal encontro pode ser, segundo o jornal, o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que ocorre em novembro em Shenzhen (China). O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, lamentou a decisão de Trump e disse que ela reforça sua política de tornar independente o comando militar da península em caso de guerra.
Analistas temem que o movimento leve Seul a buscar sua própria bomba nuclear, dada a percepção de desengajamento americano. Pyongyang, que rejeitou as propostas de normalização de Lee e acelerou seus testes de mísseis, opera estimadas 60 ogivas atômicas. A China, uma das poucas aliadas de Kim ao lado da Rússia e do Irã, acompanha de perto a situação.
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