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Política / 04.06.2026

Compra de votos: investigação leva à cassação de quase toda a Câmara Municipal de cidade no Paraná

O que deveria ser a "casa do povo" e o palco de debates democráticos transformou-se em um cenário de silêncio e irritação após a revelação de um grave escândalo eleitoral. No m...

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POR G1 POLÍTICA

Publicado em 04/06/2026 às 22:35

Compra de votos: investigação leva à cassação de quase toda a Câmara Municipal de cidade no Paraná
© FONTE: G1 Política

O que deveria ser a "casa do povo" e o palco de debates democráticos transformou-se em um cenário de silêncio e irritação após a revelação de um grave escândalo eleitoral. No município de Francisco Alves, no interior do Paraná, quase na fronteira com o Paraguai, a Justiça Eleitoral cassou em 2026 os mandatos de sete dos nove vereadores eleitos devido a um esquema de compra de votos envolvendo a distribuição de combustível. LEIA TAMBÉM: Investigações da PF sobre corrupção eleitoral disparam e crescem quase 20 vezes desde 2016 PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral Crime organizado se infiltra nas eleições e troca até cocaína por votos Quarto e último episódio da série "O Valor do Voto", da GloboNews, mostra como funcionava o esquema. A investigação, conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), comprovou que a coligação "Pra Frente Francisco Alves" utilizou uma rede econômica para garantir a eleição de seus candidatos, em vez de focar em propostas para a população. De acordo com o promotor Filipe Rocha e Silva, a gravidade do caso reside na substituição do debate político pelo uso do poder econômico para cooptar o eleitor. O esquema nos postos O centro do esquema, segundo o MPPR, era um posto de combustíveis localizado a cerca de 10 quilômetros do centro urbano da cidade. Em buscas autorizadas pela Justiça um dia antes das eleições de 2024, a polícia encontrou notas fiscais, anotações com nomes de candidatos e pequenos vales para a retirada de cinco e dez litros de gasolina ou álcool. Apenas no mês de setembro de 2024, o esquema teria distribuído 2.100 litros de combustível para eleitores. O promotor ressaltou que a localização do posto tornava a situação ainda mais suspeita, já que não era crível que eleitores se deslocassem repetidamente até o local, fora da zona de atos de campanha, apenas para abastecer pequenas quantidades várias vezes ao dia. Provas digitais e silêncio dos acusados Além dos documentos físicos, a investigação obteve provas por meio do celular apreendido de uma das candidatas da coligação, Maria Aparecida da Silva, conhecida como Cida. Áudios recuperados mostram a candidata prometendo material de campanha e "o negócio lá para vocês pegarem a gasolina" a uma eleitora. Após ser derrotada nas urnas, Cida chegou a lamentar em mensagens que não possuía dinheiro suficiente para competir com quem estava "comprando" votos. Ao serem confrontados pela equipe de reportagem, os vereadores envolvidos evitaram responder às acusações. Enquanto alguns permaneceram em silêncio ou demonstraram irritação, outros afirmaram que só se manifestariam na presença de advogados ou que não tinham nada a declarar. Para o Ministério Público, a prática compromete a integridade do sistema democrático. "A partir do momento em que o nosso voto é trocado pelo pagamento de uma conta ou pelo abastecimento de um veículo, isso compromete todo um sistema e prejudica a vida futura do município", alertou o promotor Filipe Rocha e Silva.

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