Caso do filme 'Dark Horse' pode levar PF a abrir até 3 inquéritos nos próximos dias
As suspeitas sobre o financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, devem levar a Polícia Federal a abrir três inquéritos nos próximos ...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 26/06/2026 às 14:39
As suspeitas sobre o financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, devem levar a Polícia Federal a abrir três inquéritos nos próximos dias, de acordo com a avaliação de investigadores ouvidos pela reportagem. As investigações devem ser sobre: os repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); a eventual destinação de parte desse recurso para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e a indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme. A PF estava aguardando o Supremo Tribunal Federal (STF) definir qual ministro será o relator do inquérito sobre os repasses que Vorcaro fez a pedido de Flávio. Documentos mostram o elo entre PCC e produtora do filme 'Dark Horse' O valor de R$ 61 milhões foi divulgado em maio pelo site The Intercept Brasil, que obteve trocas de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro. A PF quer confirmar a quantia. O dinheiro chegou a um fundo responsável pelo financiamento do filme "Dark Horse", nos EUA, por meio de uma empresa que já era suspeita de integrar o ecossistema de fraudes do Master, a Entre Investimentos e Participações. Um dos objetivos da PF será saber se o dinheiro foi repassado em troca de algum favor prestado pelo senador ou por seu grupo político. Flávio, que é pré-candidato à Presidência, nega qualquer irregularidade no episódio e afirma que apenas pediu um financiamento privado para o filme de seu pai. Mendonça será relator O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu na noite desta quinta (25) que essa investigação ficará sob a relatoria de André Mendonça, magistrado responsável pelos inquéritos do caso Master no tribunal. A dúvida sobre a relatoria surgiu porque o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu que a apuração sobre repasse milionário fosse conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes. Para o petista, Moraes deveria ser o relator porque existem suspeitas de que ao menos parte do dinheiro de Vorcaro tenha sido usado para financiar Eduardo nos EUA. E Moraes foi o relator da ação penal que condenou Eduardo, na semana passada, pelo crime de coação no curso do processo devido à sua atuação nos EUA. Agora, com a definição de que Mendonça será o relator, a expectativa na PF é que os inquéritos sobre os repasses de Vorcaro e o destino desse dinheiro sejam instaurados nos próximos dias. A apuração sobre o eventual empresgo dessa verba para bancar Eduardo é considerada mais complexa porque dependerá de cooperação com as autoridades americanas para, por exemplo, quebrar o sigilo dos envolvidos nos EUA.