Cansaço visual no trabalho: os sinais de alerta do uso diário de telas
Estudos apontam alta frequência de fadiga ocular entre usuários de computadores; oftalmologista alerta para ardência, visão embaçada, olho seco e dores de cabeça durante o expedien...
POR O ESTADO
Publicado em 21/10/2026 às 11:43
Passar oito horas diante do computador, responder mensagens pelo celular e terminar o expediente com os olhos ardendo, a visão embaçada ou dores de cabeça. Essa rotina, cada vez mais comum entre profissionais que trabalham em escritórios ou em home office, pode esconder um problema frequentemente confundido com o cansaço do dia a dia: a fadiga ocular digital, também conhecida como síndrome da visão de computador.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026, que reuniu 63 estudos sobre fadiga ocular, identificou prevalência estimada de 77% entre trabalhadores que utilizam computadores. Na população geral analisada, o índice foi de 51%. Os resultados chamam atenção para os impactos do uso prolongado de dispositivos digitais sobre o conforto visual e a qualidade de vida.
Segundo o médico oftalmologista Dr. Gustavo Arruda, um dos principais problemas é que muitas pessoas acabam normalizando sintomas que deveriam ser investigados.
“É muito comum o paciente chegar ao consultório relatando dores de cabeça no fim do expediente, ardência ou dificuldade para manter o foco na tela. Muitas vezes, ele acredita que isso faz parte da rotina de trabalho, mas esses sinais podem indicar fadiga ocular, olho seco ou alterações visuais que precisam de correção. Sentir desconforto todos os dias não deve ser considerado normal”, explica.
Computador e desconforto
Durante o uso prolongado de computadores e celulares, a frequência das piscadas tende a diminuir, prejudicando a distribuição da lágrima responsável pela lubrificação dos olhos. Além disso, manter o olhar concentrado em uma distância próxima por longos períodos exige esforço contínuo do sistema visual.
O problema pode ser agravado por ambientes com ar-condicionado, iluminação inadequada, reflexos na tela, distância incorreta do monitor e alterações de grau não corrigidas.
“O olho precisa de pausas e de uma superfície ocular bem lubrificada para funcionar com conforto. Quando passamos horas concentrados em uma tela, piscamos menos e exigimos mais do sistema de foco. O resultado pode ser uma combinação de ressecamento, cansaço visual e dor de cabeça, especialmente no fim do dia”, destaca Dr. Gustavo Arruda.
Dor de cabeça e visão
Embora nem toda dor de cabeça tenha origem ocular, o desconforto recorrente durante atividades de leitura ou uso de computadores pode estar relacionado a problemas de refração, como astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, além de alterações no foco e na coordenação dos olhos.
Pessoas que precisam aproximar o rosto do monitor, apertar os olhos para enxergar ou aumentar constantemente o tamanho das letras também devem ficar atentas.
“Quando a pessoa sente necessidade de fazer esforço para enxergar, aproxima o rosto da tela ou termina o dia com a visão desfocada, é importante investigar. Em alguns casos, uma correção adequada do grau e mudanças simples na rotina de trabalho já ajudam bastante. Em outros, é necessário tratar condições como a doença do olho seco”, orienta o especialista.
Quando procurar um oftalmologista
Ardência recorrente, vermelhidão persistente, sensação de areia nos olhos, visão embaçada e dores de cabeça associadas ao esforço visual são sinais que merecem investigação.
O tratamento depende da causa identificada e pode envolver correção do grau, ajustes na rotina de trabalho, uso de lubrificantes oculares quando indicados e acompanhamento de alterações da superfície ocular.
Dr. Gustavo Arruda reforça que o uso de telas não significa necessariamente dano permanente à visão, mas que os sintomas não devem ser ignorados.
“A tecnologia faz parte da nossa vida e não precisamos deixar de utilizá-la. O importante é entender que os olhos também precisam de cuidados durante o trabalho. Pequenas mudanças de hábito, associadas ao acompanhamento oftalmológico, podem fazer diferença na qualidade de vida e no desempenho profissional”, conclui.
Cinco cuidados para proteger os olhos durante o trabalho
1. Faça pausas regulares: adote a regra 20-20-20. A cada 20 minutos, olhe por 20 segundos para um objeto a aproximadamente seis metros de distância.
2. Piscar é importante: durante o uso de telas, procure piscar completamente e com frequência para favorecer a lubrificação ocular.
3. Ajuste o monitor: mantenha uma distância confortável, aproximadamente de um braço, com a tela ligeiramente abaixo da linha dos olhos.
4. Cuide da iluminação: evite reflexos, brilho excessivo e ar-condicionado direcionado ao rosto.
5. Não ignore sintomas frequentes: ardência, visão embaçada e dores de cabeça recorrentes merecem avaliação oftalmológica.
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