Brasil cria protocolo para voltar a exportar carne bovina à União Europeia; veja como vai funcionar
Governo brasileiro cria protocolo com novas regras pra exportação de carne bovina para Uni O governo brasileiro criou um novo protocolo para tentar manter a carne bovina nacion...
POR G1 ECONOMIA
Publicado em 26/06/2026 às 06:00
Governo brasileiro cria protocolo com novas regras pra exportação de carne bovina para Uni O governo brasileiro criou um novo protocolo para tentar manter a carne bovina nacional no mercado da União Europeia. A medida busca atender às novas exigências do bloco, que passará a cobrar, a partir de 3 de setembro, garantias de que os animais destinados à exportação não receberam antimicrobianos em nenhuma fase da vida. Sem conseguir comprovar esse requisito até o momento, o Brasil continua fora da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia após essa data. Para atender à nova exigência, o Ministério da Agricultura publicou, em 29 de maio, uma portaria criando o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos. A adesão é voluntária, mas será necessária para quem pretende continuar exportando carne ao mercado europeu. ➡️ O processo prevê a contratação de uma certificadora credenciada, assinatura de termo de adesão, elaboração de planos sanitário e nutricional, além da comprovação de controle sobre o uso dos medicamentos proibidos. Após análise documental e vistoria na propriedade, a certificadora poderá emitir o certificado em até sete dias. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor ainda está em fase de adaptação e, até o momento, não há propriedades certificadas sob o novo protocolo. "O protocolo é recente. O que está acontecendo agora é que os produtores estão procurando as certificadoras para iniciar o processo", afirma a entidade. Veto à carne do Brasil: por que a União Europeia quer mais controle sobre antibióticos na pecuária No centro da disputa O principal desafio está na cadeia da carne bovina e envolve a monensina, uma substância amplamente utilizada na alimentação de bovinos confinados. Em um confinamento no Gama (DF), cerca de 2 mil animais estão na fase final de engorda. Até o abate, cada um deve atingir aproximadamente 500 quilos. Para isso, recebem diariamente uma dieta balanceada, composta por farelo de algodão, derivados de milho e soja, além de suplementos minerais. É justamente nesse núcleo mineral que costuma estar a monensina. "Ela é uma aliada nossa porque melhora a conversão alimentar. Sem o produto, a gente não consegue o mesmo ganho de peso", afirma a pecuarista responsável pela propriedade. Quando utilizada como medicamento, a monensina ajuda a controlar parasitas que causam diarreia, principalmente em bezerros. Na alimentação, porém, sua função é melhorar a eficiência digestiva dos animais. "Ela reduz a população de bactérias menos eficientes e favorece o desenvolvimento de bactérias benéficas no trato digestivo", explica o médico-veterinário Álvaro de Castro. Custo e incerteza A adequação às novas regras exigirá investimentos por parte dos produtores. "O produtor vai analisar se o prêmio pago por esse mercado compensa o investimento necessário. Se compensar, ele vai atender. Se não compensar, não faz sentido entrar para ter prejuízo", avalia uma pecuarista. Em Bela Vista de Goiás, a produtora Luana Peixoto engorda cerca de 100 animais destinados à exportação. Entre os principais mercados estão a China e a União Europeia. Os animais serão abatidos no fim de agosto, mas a pecuarista ainda não sabe se conseguirá embarcar a produção para o bloco europeu. "Neste momento, a gente ainda não sabe quais serão os próximos passos. Vamos focar no mercado chinês, mas esperamos uma definição dos órgãos brasileiros e da União Europeia", afirma. Para se adequar às novas exigências, ela terá de substituir a monensina utilizada na alimentação do rebanho e buscar uma nova certificação. "A gente teria que substituir esse produto que usamos hoje na fazenda e correr atrás desse processo de certificação", diz. Há alternativas? Segundo especialistas do setor, existem alternativas à monensina, como óleos essenciais, probióticos e outros aditivos naturais. A indústria de nutrição animal afirma que já vem se adaptando às exigências internacionais. "O custo desses produtos é muito próximo ao dos aditivos tradicionais. A eficiência depende muito da dieta, do manejo e do perfil de cada propriedade. É um trabalho que precisa ser planejado para garantir resultados no campo", explica o diretor comercial de uma empresa do setor. Negociações continuam Em nota, a Comissão Europeia informou que continua negociando com o Brasil, mas ressaltou que as regras que restringem o uso de antimicrobianos foram definidas em 2023 e que os países exportadores tiveram tempo suficiente para se adequar. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) informou que trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para atender às exigências do bloco e que uma missão técnica europeia deve visitar o Brasil no segundo semestre para avaliar os avanços e concluir o processo de habilitação. O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar