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Ceará / 01.09.2026

Banco Central aponta bets como fator central do endividamento das famílias e prepara medidas para crédito mais caro

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou nesta terça-feira (1º) que as bets, as casas de apostas, tornaram-se um elemento “central” e “indiscutí...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 01/09/2026 às 18:17

Banco Central aponta bets como fator central do endividamento das famílias e prepara medidas para crédito mais caro
© FONTE: Ceará Agora

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou nesta terça-feira (1º) que as bets, as casas de apostas, tornaram-se um elemento “central” e “indiscutível” do endividamento das famílias brasileiras. Segundo ele, o avanço das apostas está no radar da autoridade monetária diante do aumento da inadimplência e do comprometimento da renda de milhões de pessoas.

A avaliação foi apresentada durante o Zetta Summit 2026 — “Estabilidade, cidadania financeira e competitividade”, em Brasília. Aquino defendeu maior atenção à saúde do crédito e aos consumidores que recorrem às modalidades de financiamento mais caras.

“É indiscutível que bets são um elemento central do endividamento das famílias. Eu acho que qualquer coisa diferente de dizer que bets não contribuem para a inadimplência é ‘fake news’”, afirmou.

O crescimento das apostas preocupa também pelos efeitos que ultrapassam as finanças. O elevado comprometimento da renda pode resultar em dívidas em atraso, perda de patrimônio e impactos sobre a saúde mental de pessoas que passam a destinar parcela crescente do orçamento doméstico aos jogos.

Aquino afirmou que a inadimplência é hoje um dos pontos de maior atenção do Banco Central e destacou que a instituição trabalha para aumentar a transparência nas operações financeiras. O diretor chegou a questionar a possibilidade de carteiras digitais serem utilizadas para facilitar a concessão de crédito destinado às apostas.

Outro foco do BC são as modalidades com juros mais elevados, especialmente cartão de crédito e crédito pessoal não consignado. Segundo Aquino, a diretoria da instituição discute uma abordagem macroprudencial para enfrentar os riscos associados a essas linhas.

“A gente precisa endereçar a temática desse endividamento nas linhas mais caras. Eu acredito que nos próximos meses nós vamos ter algumas medidas relevantes para o sistema financeiro”, declarou.

O diretor também defendeu maior clareza nas informações sobre modalidades como o Pix Crédito, principalmente em relação às taxas cobradas e ao Custo Efetivo Total (CET) das operações.

O alerta está alinhado ao posicionamento recente do Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central. A autoridade monetária já informou que prepara medidas para reduzir os riscos provocados pelo peso das modalidades de crédito mais caras na dívida das famílias, buscando preservar a sustentabilidade do crédito e a estabilidade do sistema financeiro.

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