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Ceará / 08.08.2026

Arranjo que deu vitória a Luizianne na majoritária expõe dissidências dentro do PT Ceará

Composição opõe em cenários internos Camilo Santana, principal liderança da sigla no Estado, e nomes como o do ministro da SRI, José Guimarães The post Arranjo que deu vitória a Lu...

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POR O ESTADO

Publicado em 08/08/2026 às 02:00

Arranjo que deu vitória a Luizianne na majoritária expõe dissidências dentro do PT Ceará
© FONTE: O Estado

A semana que se encerra neste sábado (8) pôs fim a um capítulo eleitoral na majoritária de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), com a escolha da ex-deputada federal Luizianne Lins (Rede) para ocupar a segunda indicação ao Senado.

O arranjo, cujo martelo foi batido no apagar das luzes do prazo do gestor para sinalizar à Justiça Eleitoral quais nomes iam à disputa ao seu lado, trouxe Chagas Vieira (PDT) e Rodrigo Oliveira (MDB) para primeira e segunda suplências, respectivamente.

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Apesar de fechar uma janela, a composição expôs um conflito dentro do PT Ceará, que opõe em cenários internos o senador Camilo Santana, principal liderança da sigla no Estado a cerca de oito anos, e nomes como o do ministro da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), José Guimarães. 

Deputado federal licenciado, Guimarães foi rifado no primeiro semestre deste ano da possibilidade de concorrer ao Senado, em um momento em que havia como certeza a manutenção do PSB à Casa Alta, pela configuração que a legenda possui hoje, com o senador Cid Gomes (PSB) com mandato, e incerteza de quem ocuparia a segunda indicação. As maiores probabilidades estavam, nesta ordem, entre MDB, PSD e Republicanos. O deputado federal Eunício Oliveira, o ex-vice-governador Domingos Filho e o ex-suplente senatorial Chiquinho Feitosa são, respectivamente, presidentes estaduais do MDB, PSD e Republicanos. O primeiro e o terceiro, como se diz no jargão político, são “camilistas”.

Houve, contudo, um impedimento de que Eunício Oliveira avançasse para seguir como indicável. Restou ao senador, em sua base, o nome de Chiquinho Feitosa, um de seus principais aliados.

Em meio ao cenário, no entanto, a deputada federal Luizianne Lins passou a se cacifar para uma candidatura ao Senado. A parlamentar chegou a se encontrar com Elmano e Camilo em junho, mas, segundo um interlocutor ouvido pelo O Estado à época, “não houve conversa alguma sobre o Senado” na circunstância. “Só mesmo aquela foto”, diz sobre registro feito à época.

A definição do nome de Luizianne veio cerca de 40 dias após esse encontro, período no qual, conforme a parlamentar afirmou ao O Estado, uma nova possível conversa ficou em stand by.

“Mãos de Guimarães”
A retomada do contato se deu pelas mãos de Guimarães no início desta semana, quando a base foi derrotada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), situação em que um processo impetrado por aliados de Elmano foi rejeitado pela maioria da corte, que decidiu que o apoio da Federação União Progressista (Federação UPB) deveria permanecer com Ciro Gomes (PSDB), diante do entendimento tomado entre correligionários de que a agremiação não mudaria o plano, em desenvolvimento desde 2025, de que a federação apoiaria a aliança do tucano.

As costuras de Guimarães receberam aval do presidente Lula (PT), que criticou, de maneira velada, Luizianne em abril deste ano, em Fortaleza, afirmando que “o PT não poderia querer tudo”.

A declaração de Lula ocorreu quando a ex-prefeita de Fortaleza ainda estava filiada ao PT, legenda na qual permaneceu por 37 anos, e foi vista como desprestígio.

O retorno ao nome de Luizianne para a indicação decorreu de uma recusa de petistas na hipótese lançar Chagas Vieira como titular da vaga – a ala considera que a agora candidata na chapa de Elmano tem potencial para vencer, ainda que seu nome estivesse à margem do do governador.

Sua federação, composta por Rede e PSOL, confirmou sua candidatura ao Senado de maneira independente em 1º de agosto, um dia depois da convenção que selou o governador à reeleição. No evento, parte do público chegou a gritar “Lôra, lôra” na plateia. Lula participou da convenção.

“Concorrer de novo”
Em meio à ainda indefinição do nome, chegou-se a conjecturar a possibilidade de Camilo, ainda que com mandato até 2028, concorrer ao Senado novamente. Chagas seria seu suplente, afirmaram sob condição de off, no início desta semana, duas fontes de partidos cotados para a majoritária.

Há, no entanto, entendimento unânime no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que a “hipótese de reeleição ao cargo de senador a cada quatro anos violaria a finalidade expressa na norma constitucional, que seria fraudada, causando um descompasso na sistemática de composição do Senado Federal e no tempo de mandato dos senadores”, afirma texto institucional do TSE.

A interpretação, de 2018, foi do ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de consulta formulada ao tribunal pelo senador Romário de Souza Faria, hoje do PL, mas à época do PSB.

A confirmação de Luizianne, que teve uma série de negativas de Camilo ao tentar se candidatar em pleitos anteriores desde que deixou a Prefeitura de Fortaleza em 2012, representa um insucesso dos planos do senador e aumentam a tensão existente dentro do PT. Também à derrota, soma-se o fato de que a reaproximação de Elmano e Luizianne foi costurada por Cid.

Em maio, em entrevista ao O Estado, Cid afirmou que estava em diálogo com a deputada e sinalizou estar fazendo uma “ponte” de proximidade entre os antes correligionários. Elmano chegou a ser secretário municipal da gestão de Luizianne.

Camilo e Cid
Camilo e Cid, outrora muito próximos, atualmente estão em projetos diversos, com uma única interseção: ser da base governista e trabalhar para a reeleição de Elmano.

Após falas públicas que sugeriram que ambos estavam em conflitos mútuos, Cid na mesma entrevista a este jornal normalizou a distância entre o seu antecessor no Palácio da Abolição, apontando que os afazeres próprios do dia a dia os afastaram. O líder do PSB Ceará, contudo, argumentou que há anos a relação não era mais a mesma.

Também em entrevista ao O Estado, questionado sobre o tema, Camilo reduziu a distância do colega de Senado também a tarefas que não são comuns em cada um dos lados, apontando que seria uma das razões do afastamento.

Na convenção do PT, o petista fez elogios ao ex-governador e disse que Cid seria o primeiro senador reeleito da história do Ceará. As negociações para que Cid atendesse ao pedido de sua legenda e de parte da base e fosse candidato à reeleição passaram, além de por Elmano, por Camilo.

O peso de Cid nas negociações da majoritária, que articulou para rifar aliados de Camilo, e atrair nomes de sua confiança, como o de Domingos, é outro componente que deixou o ambiente em maior tensão nos últimos meses.

Camilo foi escolhido por Cid para concorrer após seus dois mandatos como governador. Camilo foi eleito, rifando Eunício nas urnas, e teve apoio de Cid também para 2018, quando se reelegeu.

Em 2022, a aproximação entre Camilo e Cid para a eleição de Elmano ficou aquém da que acontece hoje. Um dos componentes foi o racha a que o PT chegou com o PDT, anterior partido do ex-prefeito de Sobral.

O fortalecimento de Cid neste ano passou, dentro do PSB, pelo aumento do número de filiados ao partido com mandato de deputado estadual, deputado federal ou prefeitos e a escolha da presidência da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) em 2024.

O PSB se tornou a maior bancada da Casa e deve permanecer assim após o pleito de outubro. Lograr êxito de Domingos Filho na vice de Elmano este ano também mostra a força do senador do PSB.

Domingos foi inserido formalmente na coalizão de Elmano em 2025, ou seja, dois anos depois do início do mandato do governador, quando assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) de Elmano.

Em que pese o ex-presidente da Alece estar na mesma ala de Cid no vínculo junto ao ex-governador do Estado, ambos acumulam dissidências, impulsionada por exemplo pela tentativa de Domingos de ser candidato ao Governo do Estado em 2018, quando Camilo foi reeleito, e a adesão de Domingos, em 2022, à candidatura de Roberto Cláudio, vice-presidente estadual da Federação UPB, mas à época filiado ao PDT. Roberto foi um dos oponentes de Elmano nas urnas e teve como vice na chapa o presidente do PSD Ceará.

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