Colômbia: Abelardo de la Espriella toma posse e promete ‘combate definitivo’ a grupos armados
Espriella assume presidência da Colômbia em Cali, prometendo 'combate definitivo' a grupos armados e uma agenda ultradireitista. O post Colômbia: Abelardo de la Espriella toma pos...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 08/08/2026 às 03:04

Abelardo de la Espriella assumiu a presidência da Colômbia nesta sexta-feira (7) em uma cerimônia marcada por um tom forte e desafiador. Em seu primeiro discurso como chefe de Estado, proferido no Batalhão Pichincha, em Cali, o líder ultradireitista ordenou um “combate definitivo” contra grupos criminosos, prometendo total respaldo jurídico às forças militares e policiais do país.
A posse, que quebrou a tradição de ser realizada no Congresso em Bogotá, ocorreu em um auditório da Universidade Santiago de Cali, na terceira maior cidade colombiana. A mudança de local reflete semanas de atrito com o agora ex-presidente Gustavo Petro, que havia barrado o plano inicial de Espriella de iniciar seu mandato em uma instalação militar fora da capital.
Espriella e a Ordem de “Combate Definitivo”
Em um discurso que ecoou o principal tema de sua campanha, Abelardo de la Espriella foi enfático ao declarar guerra ao crime organizado. “Ordeno às forças militares e policiais o combate definitivo a todas as estruturas criminosas e seus membros”, afirmou o presidente, dirigindo-se a dezenas de militares presentes na cerimônia. Ele garantiu que “militares e policiais da pátria: este governo os protegerá. Vocês terão todas as garantias jurídicas para que não sejam perseguidos pelo cumprimento de seus deveres.”
Com seu usual tom grandioso, Espriella prometeu “fechar um grande capítulo de resignação” e iniciar o “tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade” na Colômbia. Ele reafirmou sua intenção de “derrotar, sem trégua, o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas que ameaçam a liberdade da Colômbia”, anunciando a criação de uma lista de “grupos narcoterroristas”.
Posse Fora de Bogotá: Um Cenário de Tensão Política
A decisão de realizar a cerimônia de posse em Cali, e não na capital Bogotá, foi um ponto de discórdia entre o presidente eleito e o ex-presidente Gustavo Petro. Inicialmente, Espriella desejava iniciar seu mandato em uma instalação militar fora de Bogotá, mas o plano foi vetado por Petro, que ainda era o comandante em chefe das Forças Armadas. Apesar do impasse, Espriella conseguiu se deslocar até um batalhão na cidade para proferir seu primeiro discurso oficial, marcando uma ruptura com as práticas anteriores.
Essa mudança de local sublinha a intensa polarização política que caracterizou a transição de governo e as semanas que antecederam a posse, evidenciando as tensões entre as administrações que se sucederam.
Agenda Ultraconservadora: Segurança, Economia e Relações Exteriores
A plataforma de segurança pública de Espriella inclui medidas rigorosas. Ele prometeu acabar com qualquer negociação com grupos armados, construir megaprisões e retomar a fumigação aérea em plantações de coca. “A segurança não se constrói com concessões ao crime, mas com autoridade e constância”, declarou, enfatizando que a opção do diálogo está “completamente esgotada”.
O novo presidente também criticou a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), surgida do acordo de paz de 2016 com as Farc, prometendo “revisar rigorosamente a natureza e o efeito” do órgão. Na frente econômica, Espriella prometeu apresentar provas de corrupção no governo Petro e assinar um decreto para congelar gastos públicos, afirmando que “o regime que saiu do poder promoveu um crescimento excessivo da despesa, baseado na dívida que enfraqueceu as finanças públicas.”
Em relações exteriores, Espriella indicou uma guinada, afirmando que a Colômbia “deixará de ser um pária que contemporiza com o delito transnacional” e assumirá um papel de liderança no combate ao crime global. Ele anunciou a adesão ao “Escudo das Américas”, uma iniciativa impulsionada por Donald Trump para unir nações livres contra ameaças à segurança regional.
Oposição se Articula e Petro Deixa o Poder
A posse de Espriella foi acompanhada por protestos e a ausência notável de congressistas do Pacto Histórico, partido de Gustavo Petro. Enquanto dezenas de legisladores viajaram para Cali para a cerimônia, parte da oposição se manifestava na cidade e em Barranquilla. O candidato derrotado, Iván Cepeda, apadrinhado de Petro, fez um chamado à desobediência civil e anunciou a criação de um “Gabinete pela Vida” para contestar as políticas do novo governo.
Gustavo Petro, por sua vez, deixou a Casa de Nariño em Bogotá, acompanhado de sua filha Antonella e membros de seu gabinete. “Tudo que fizemos aqui foi pelo povo”, afirmou, em suas palavras de despedida. A transição de poder evidenciou a profunda polarização política que permeia a Colômbia.
Cerimônia com Forte Tom Religioso e Presenças Inusitadas
A cerimônia de posse de Abelardo de la Espriella teve uma forte carga religiosa, refletindo o tom de sua campanha. No palco, uma escultura da Virgem de Fátima se destacava, e cânticos religiosos foram entoados. Rabinos, pastores e padres conduziram orações, abordando temas como insegurança pública, polarização e problemas de saúde no país. O avião presidencial e o gabinete de Espriella também foram abençoados, com membros do governo citando uma “batalha espiritual”.
O evento reuniu líderes da nova onda de direita na América Latina, como os presidentes José Antonio Kast (Chile), Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai). O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira. Curiosamente, a cerimônia contou com a presença do presidente da Federação Colombiana de Futebol, Ramón Jesurún, e do presidente da FIFA, Gianni Infantino, cuja permanência na entidade tem sido questionada.
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