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Ceará / 17.06.2026

Alho revela potencial no combate ao câncer e pode aumentar eficácia da quimioterapia, aponta estudo da USP

Muito além de um ingrediente tradicional da culinária, o alho pode se transformar em um importante aliado da medicina no combate ao câncer. Pesquisa desenvolvida por cientistas da ...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 17/06/2026 às 21:54

Alho revela potencial no combate ao câncer e pode aumentar eficácia da quimioterapia, aponta estudo da USP
© FONTE: Ceará Agora

Muito além de um ingrediente tradicional da culinária, o alho pode se transformar em um importante aliado da medicina no combate ao câncer. Pesquisa desenvolvida por cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) identificou que um composto bioativo presente na planta, conhecido como dissulfeto de dialila (Dads), tem potencial para aumentar a eficácia de tratamentos quimioterápicos contra o câncer colorretal.

O estudo, publicado na revista científica Nutrients, avaliou a ação do composto em associação ao medicamento 5-fluorouracilo (5-FU), um dos quimioterápicos mais utilizados no tratamento desse tipo de câncer, que está entre os mais diagnosticados e letais no mundo.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre o extrato derivado do alho e o medicamento apresentou resultados promissores em testes laboratoriais, potencializando a destruição das células tumorais.

Além de ser amplamente disponível e de baixo custo, o Dads integra a categoria dos chamados nutracêuticos, substâncias naturais que apresentam propriedades benéficas à saúde. Estudos anteriores já apontavam efeitos antitumorais do composto e sua capacidade de reduzir efeitos adversos de terapias convencionais.

A pesquisa, liderada pela mestranda Estéfani Maria Treviso, mostrou que a associação entre o composto do alho e o quimioterápico aumentou os danos genéticos nas células cancerígenas, reduziu sua capacidade de migração — fator associado ao surgimento de metástases — e ampliou a sensibilidade das células tumorais ao tratamento.

De acordo com a professora Lusânia Maria Greggi Antunes, da FCFRP-USP, os resultados indicam que o nutracêutico pode se tornar uma alternativa complementar à quimioterapia.

“A sinergia entre o extrato de alho e o quimioterápico levou a uma ação mais eficaz contra as células tumorais utilizadas no estudo, mostrando que o uso do nutracêutico é promissor em tratamentos adjuvantes”, destacou.

Os pesquisadores acreditam que o composto atua sobre mecanismos relacionados ao estresse oxidativo e à morte celular programada, ajudando inclusive a superar processos de resistência ao tratamento.

Para o oncologista Rafael Botan, dos hospitais Anchieta Taguatinga e Unique, o potencial da descoberta é significativo.

“O cenário ideal seria alcançar o mesmo efeito da quimioterapia com doses menores ou obter uma resposta mais intensa com a mesma dose do medicamento. O alho é barato, bem tolerado e fácil de encontrar. Isso torna a hipótese bastante atraente, especialmente para sistemas de saúde com recursos limitados”, explicou.

Apesar do entusiasmo, os especialistas ressaltam que os resultados ainda foram observados em laboratório e que serão necessários novos estudos clínicos para comprovar a eficácia e a segurança da combinação em pacientes.

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