Alckmin fala em dobrar comércio entre Brasil e Coreia do Sul após novos acordos: 'É uma necessidade estratégica'
Brasil e Coreia do Sul assinaram nesta terça-feira (28) novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos durante o Brazil-Korea Business Roundtable, em São P...
POR G1 ECONOMIA
Publicado em 28/07/2026 às 18:20
Brasil e Coreia do Sul assinaram nesta terça-feira (28) novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos durante o Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo. "Aproximar-nos não é uma opção conveniente, é uma necessidade estratégica", afirmou Geraldo Alckmin, vice-presidente da República. "Esse pode ser o momento em que nossos dois países, usando a metáfora de nossa cooperação espacial, podem decolar e mirar objetivos mais altos", afirmou o vice-presidente, Geraldo Alckmin. A iniciativa, organizada pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI), integra a agenda da visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e busca aprofundar a parceria econômica entre os dois países, que movimentaram US$ 10,8 bilhões em comércio bilateral em 2025 e acumulam US$ 8,9 bilhões em investimentos sul-coreanos no Brasil. "Nós podemos dar a meta de quase dobrar isso", afirmou o vice. O evento reúne o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de representantes dos governos e empresários dos setores automotivo, tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada. Na abertura do encontro, Alckmin destacou que os sete memorandos assinados na segunda-feira (27), em Brasília, nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes, representam uma oportunidade para elevar o nível da cooperação entre os dois países. Ele também pincelou sobre a visita sanitária exigida pela Coreia às produtoras de carne no Brasil "O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário. Estamos muito otimistas com a visita sanitária agora em agosto", disse. A Coreia no Brasil Sobre as negociações entre Mercosul e Coreia do Sul, Alckmin disse que as duas partes pretendem intensificar o engajamento e informou que o Brasil iniciou consultas internas sobre o tema. O vice-presidente defendeu ainda o fortalecimento da cooperação em infraestrutura, tecnologia e minerais críticos. Segundo ele, o Brasil quer avançar da simples exportação de matérias-primas para uma parceria baseada em industrialização, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada. "Não queremos apenas exportar minério bruto. Queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia", afirmou. Alckmin também destacou o potencial brasileiro para receber investimentos em inteligência artificial e centros de dados, citando a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de água e a estabilidade regulatória como vantagens competitivas. Na área aeroespacial, lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro a partir do Centro Espacial de Alcântara. Ao falar sobre o agronegócio, o vice-presidente afirmou que as economias são complementares e disse que a prioridade brasileira é conquistar a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina nacional. Ele também comemorou a missão de inspeção sanitária da agência reguladora da Coreia prevista para agosto e destacou oportunidades de cooperação em biocombustíveis. Encerrando o discurso, Alckmin afirmou que o cenário internacional, marcado por fragmentação e tarifas unilaterais, reforça a importância da aproximação entre os dois países. 40% do café consumido na Coreia é brasileiro Também presente no encontro, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que o cenário internacional exige previsibilidade para que as relações comerciais avancem e defendeu o fortalecimento da parceria entre Brasil e Coreia do Sul. "Vemos, cada vez mais, um cenário de fragmentação. O que nós precisamos é estabilidade, confiança e crescimento", disse. O presidente da ApexBrasil lembrou que participou da missão oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul, realizada neste ano, acompanhada por mais de 450 empresários brasileiros. Apesar de a Coreia importar cerca de US$ 600 bilhões por ano, o Brasil responde por aproximadamente 1% desse mercado, o que, segundo ele, demonstra o potencial para ampliar a participação brasileira. Müller destacou que há espaço para expandir a cooperação em diversos setores, como proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis, aeronáutica, defesa, mineração, minerais críticos, indústria farmacêutica, química e tecnologia. Ao comentar o comércio de café, afirmou que cerca de 40% do café consumido na Coreia do Sul é café especial brasileiro, ressaltando que o país asiático é um dos maiores consumidores per capita da bebida. "O governo coreano pode continuar contando com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações do Brasil nessa relação tão importante junto às empresas brasileiras e ao setor privado", concluiu. Elias Rosa projeta expansão da IA com país asiático "Fiquei feliz com a notável complementaridade das economias brasileira e coreana. Não há disputa, não há concorrência, mas há complementaridade", disse Elias Rosa. O ministro citou a atuação de empresas sul-coreanas instaladas no Brasil, como Samsung, LG e Posco, destacando seus investimentos e geração de empregos no país. Também mencionou as parcerias já existentes nos setores de petróleo, defesa e construção naval, além da cooperação entre a Embraer e a Korea Aerospace Industries (KAI). Ao abordar inovação, afirmou que inteligência artificial e soberania digital estão entre as prioridades do governo brasileiro e disse que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial tem objetivos convergentes com os interesses da Coreia do Sul. Ele também colocou o ministério à disposição para aprofundar o diálogo sobre propriedade intelectual, tema que, segundo afirmou, foi apresentado como uma preocupação da delegação sul-coreana. Durante o discurso, Elias Rosa ressaltou ainda oportunidades de cooperação em descarbonização, biocombustíveis e agronegócio. Citou iniciativas de empresas dos setores de proteína animal e destacou que o etanol, o bioetanol e o biogás combinam competitividade econômica com redução das emissões de gases de efeito estufa. "O etanol, o bioetanol e o biogás têm competitividade porque oferecem sustentabilidade e menor emissão de gases de efeito estufa, além de um custo mais baixo quando associados aos combustíveis fósseis", afirmou. O ministro também apontou potencial para ampliar a integração no setor de cosméticos. Segundo ele, a indústria brasileira ainda exporta pouco para a Coreia do Sul, apesar da relevância do mercado coreano, o que abre espaço para uma maior complementaridade entre os dois países. Parceira com a Coreia não é retaliação contra os EUA ou outros países Perguntado se a relação comercial com a Coreia do Sul foi influenciada pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Alckmin respondeu que o tema não foi discutido durante a reunião. "Não falaram sobre o Trump. Não esteve na pauta. A pauta foi apenas Brasil e Coreia do Sul", afirmou. Alckmin destacou que o Mercosul vive um momento positivo, lembrando a conclusão de acordos comerciais com Singapura, os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a União Europeia. Também afirmou que a Coreia do Sul mantém interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial com o bloco. Basicamente, a estratégia do governo está baseada em três pilares: apoiar as empresas afetadas; diversificar mercados; e manter as negociações diplomáticas. Alckmin acrescentou que o Brasil continuará negociando para reverter as tarifas consideradas injustas impostas pelos Estados Unidos e ressaltou que o país "não saiu da mesa de negociação". Ao comentar a possibilidade de adoção da chamada reciprocidade comercial, afirmou que a medida não deve ser interpretada como retaliação. "Reciprocidade é uma possibilidade. Não é retaliação", disse. "O Brasil defende o multilateralismo e regras para o comércio internacional. Abrir mercados beneficia a sociedade com produtos melhores, mais baratos e maior competitividade", concluiu.