1º debate entre Lula e Flávio Bolsonaro tem acusações de corrupção
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) participaram, na noite desse domingo (18), do debate promovido pela Band, em confronto considerado tenso e com trocas de...
POR O ESTADO
Publicado em 19/10/2026 às 00:47
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) participaram, na noite desse domingo (18), do debate promovido pela Band, em confronto considerado tenso e com trocas de acusações. É o primeiro com a presença deles nas eleições deste ano. Os dois iniciam disputando os méritos da Lei Antifacção. “Eu vou para dentro desses marginais com leis mais duras, com a Lei Antifacção que nós aprovamos, os líderes dessas facções vão ficar até 80 anos presos”, disse o candidato do PL. “Eu já fiz a Lei Antifacção, ela foi aprovada aumentando o tempo de cadeia”, afirmou Lula.
Lula perguntou a Flávio se o senador tem algo contra as mulheres. Flávio respondeu que é casado, tem duas filhas lindas e rebateu perguntando sobre a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha envolvida no escândalo do INSS. Lula afirmou que a lobista é um caso da Polícia Federal (PF), disse acreditar que o filho é inocente e que “não é um pai que protege o filho”, afirmando que as investigações estão ocorrendo sem intervenção.
Ele também voltou a citar que o escândalo do INSS foi descoberto e desmontado no atual governo. Flávio, no entanto, continuou explorando o escândalo. Lula perguntou também por que o senador votou contra o projeto de licença-maternidade de seis meses. Flávio ignorou e insistiu na pauta Lulinha.
Flávio não respondeu sobre a relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O petista pediu ao senador para que explicasse sobre ter pedido dinheiro ao empresário para financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a história do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio respondeu: “Você está vendo quantas pessoas foram condenadas por corrupção e lavagem de dinheiro? Só você”, sem mencionar Vorcaro ou o filme.
Quando questionado sobre a economia, Lula afirmou que é necessário fazer circular dinheiro na mão das pessoas. “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza e miséria. E pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza, distribuição de renda”, disse.
Afirmou ainda que foi por isso que criou uma legislação para a pequena e média empresa. “E agora nós estamos discutindo como incentivar os MEIs para gerar mais emprego”. Já o senador fez referência ao preço dos alimentos para criticar a economia atual. “Há quanto tempo você não coloca uma carne, um pedaço de carne, no seu freezer, no seu congelador?”
Disse ainda que o simples fato de ter saído à frente no primeiro turno fez os juros futuros caírem 2%. “Com a gastança do atual governo, que gasta de forma desenfreada, a consequência é você se endividar”, disse.
Lula perguntou a Flávio se ele se comprometeria a não reverter o fim da escala 6×1. O senador, no entanto, não respondeu e mudou de assunto. O senador votou a favor da medida, em mudança de discurso em relação à proposta do governo Lula, mas não participou da sessão presencial e votou pela internet. Apesar do voto favorável, ele garantiu a aliados e empresários a revisão de pontos da proposta caso seja eleito.
Em determinado momento, Flávio interrompeu a fala do presidente sobre saúde pública e irritou Lula. A confusão começou quando o petista sugeriu que o senador planejava privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS).
Flávio disse querer trazer o “padrão Einstein” para o SUS, em referência ao Hospital Albert Einstein em São Paulo. Na vez de Lula falar, o chefe do Executivo questionou: “Será que ele quer privatizar o SUS? É isso que eu entendi?”. O senador sinalizou que não com o dedo e não esperou o momento de falar e interrompeu a declaração do presidente, que disse: “Ele não tem comportamento ético, não espera isso do bolsonarismo. Ele não entende nada de saúde pública, eu acho que ele nunca foi no SUS, ele nunca foi numa UPA”.
Lula citou as mais de 700 mil mortes pela covid-19 durante a pandemia. O petista destacou que a cloroquina não deveria ter sido defendida pelo então presidente e que não poderia faltar vacina para conter a doença. Flávio disse que a saúde não havia sido área que o governo do pai teve o “melhor resultado”. Em seguida, afirmou que Bolsonaro “deu o seu melhor”.
Flávio adotou a estratégia de se posicionar atrás de Lula enquanto o presidente falava, fazendo negações e expressões faciais ao fundo do enquadramento. Pelas regras do debate, os dois candidatos podiam circular livremente pelo estúdio. Lula chegou a se irritar na questão sobre o SUS.
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