“Ter a vice é projetar possibilidade de ter o governador do seu partido”, aponta Capitão
Entrevistado pelo O Estado, Capitão aponta que articulações colocam RC a um passo da vice e diz que não voltará atrás com seu nome ao Senado The post “Ter a vice é projetar possib...
POR O ESTADO
Publicado em 05/06/2026 às 06:00
Por Gabriela de Palhano, Hyago Felix e Kelly Hekally
Presidente da Federação União Progressista (Federação UPB) no Ceará e vitorioso na queda de braço que se instaurou em março deste ano com seu correligionário, o deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil), Capitão Wagner foi entrevistado pelo O Estado nesta quinta-feira (4) após a gravação do programa “Caráter”, que vai ao ar nesta sexta-feira (5), às 19 horas.
Aos jornalistas Hyago Felix, Gabriela de Palhano e Kelly Hekally, o pré-candidato ao Senado e ex-deputado federal falou sobre o trilhar da pré-campanha de seu aliado Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado e das conjecturas acerca de Roberto Cláudio (União Brasil) como possível nome na majoritária.
Capitão Wagner também negou durante o diálogo um eventual recuo de sua indicação à senatória nos próximos meses em nome de um aceno ao provável indicado do PL, deputado estadual Alcides Fernandes (PL), também pré-candidato ao Senado, cujos números de intenção de votos ao posto o distanciam da preferência do eleitorado quando comparado aos de Capitão Wagner.
“Eu deixei isso muito à vontade até dias atrás, mas depois do que aconteceu com a Dayany, por mais que o pessoal diga que não haja perseguição, houve uma série de atropelos no processo da Dayany que tirou o mandato dela. Comigo funciona ao contrário do que funciona com outras pessoas. Se acham que isso vai me fazer recuar para eu ser candidato federal, pelo contrário, agora é que eu tenho mais vontade de ser candidato ao Senado”.
O Estado – Como está sendo a pré-campanha ao Governo do Estado?
Capitão Wagner – Amanhã [Hoje], ele vai ter um inopinado em outro município, da região Centro Sul. De lá, a gente já vai para a região da serra, que tem um evento de Tianguá e Viçosa [do Ceará]. Até o final do mês, acho que a gente vai ter mais umas três inopinadas pelo Interior. Como no outro final de semana é o início da Copa do Mundo, a gente deve ficar pela Região Metropolitana. Mas a intenção é todo final de semana a gente estar rodando em alguma alguma cidade do Interior para aumentar essa presença, que é mais o complexo durante a campanha. Se ele deixar para fazer só na campanha, não dá tempo.
OE – Há definições de se o ex-prefeito Roberto Cláudio vai mesmo para vice ou se caberá indicação à Câmara?
CW – Eu vou relatar o que foi falado no dia da filiação do Roberto. O Rueda disse ‘Roberto, aqui você pode ser candidato a governador, a senador, a vice, a deputado federal, ao que você quiser’. É lógico que nacionalmente o partido quer ter uma bancada expressiva, forte de deputados federais, como a gente tem hoje. A gente elegeu quatro. A intenção da gente agora é na federação reeleger pelo menos cinco. O Roberto está juntando votos para deputado federal, que pode ser para ele ou para uma pessoa indicada por ele. Como eu tenho a Dayany [Bittencourt], que é a minha deputada federal, o Roberto tem várias pessoas ligadas a ele que estão filiadas no partido: Lúcio Bruno, Carol Bezerra, Prisco Bezerra. O próprio Mauro. E o que nos dá mais tranquilidade ainda para fazer essa afirmação é que dos 23 candidatos a deputado federal do União Brasil, os únicos que a gente não colocou foram Moses [Rodrigues], AJ [Albuquerque] e uma outra menina que o Moses chamou. Então, 20 dos 23 quem colocou fomos eu e Roberto. Se não fosse a gente, a federação iria eleger um, talvez. Hoje, pode eleger quatro ou cinco por conta do nosso esforço. E, sendo o presidente nacional do partido, vamos lá analisar de forma pragmática, você tem a possibilidade de indicar o vice de um candidato que já afirmou que vai ter só um mandato, que não vai para a reeleição. Você ter a vice, seja o Roberto ou qualquer outro membro do União Brasil, é você projetar para o futuro a possibilidade de ter o governador do seu partido. Quem é o partido no Brasil que não quer ter o governador do estado do Ceará? Acho que isso aí para mim está muito tranquilo. O Roberto vai tratar isso com muita naturalidade, com a presidência nacional, mas a gente não vai ter problema por isso não.
“É lógico que nacionalmente o partido quer ter uma bancada expressiva, forte de deputados federais, como a gente tem hoje […] O Roberto está juntando votos para deputado federal, que pode ser para ele ou para uma pessoa indicada por ele”
OE – O governador Elmano de Freitas tem falado em antecipar o anúncio da chapa majoritária agora para junho. O pré-candidato Ciro fez um pouco disso. Vocês vão deixar para as convenções ou também vão anunciar em junho?
CW – A intenção agora em junho é oficializar a nossa pré-candidatura ao Senado. A outra vaga de senador é do PL. A gente aguarda por uma decisão do PL, a gente não quer interferir. O pastor Alcides [Fernandes] que tem sido colocado hoje, não só por ele, mas pelos demais membros do partido. A Priscila tem reivindicado legitimamente, mas o Alcides é quem tem se colocado mais. Eu tive conversas com a Nacional do partido, o PL, que dizem que o Alcides é o candidato, mas eu trato isso com muito respeito porque é legítimo ela reivindicar. Ela tem o apoio da Michelle [Bolsonaro], então vai reivindicar. Mas o PL eu acho que vai ser mais próximo das convenções. E a gente deve anunciar agora em junho, vamos ver a data. Provavelmente na Região Metropolitana que a gente vai lançar a nossa pré-candidatura ao Senado.
OE – E a chapa completa: projeta o quê?
CW – Só convenção [partidária]. A vice, por exemplo, vai demorar para pertinho da convenção. Se vai ser do União, eu acho que vai ser do União, ser o Roberto ou outra pessoa, a gente ainda vai ver.
OE – Para vocês, enquanto esse arco como arco de aliança é importante estar no mesmo palanque que Flávio Bolsonaro?
CW – Na verdade, o palanque aqui no Estado vai estar repleto de candidatos a presidente. Aécio pode se lançar pelo PSDB, o Flávio pode se lançar pelo PL. A gente tem um outro partido aí que já lançou candidato a presidente que a tendência é estar com a gente, não vou adiantar porque pode atrapalhar. A própria federação não definiu ainda quem vai apoiar. Então, a gente pode ter três ou quatro candidatos a presidente no mesmo palanque do Ciro, porque o foco da gente é o estado do Ceará. E na eleição passada tentei fazer isso e tive dificuldade. Sendo muito franco, eu fui deputado federal. Enquanto deputado federal, a gente estava na base de apoio do [Jair] Bolsonaro, mas, por mais que eu dissesse que minha prioridade era o Ceará, o pessoal usava imagem de palanque, de eventos em que eu estava com o Bolsonaro. Com o Ciro já é bem difícil. Colar o Bolsonaro no Ciro é quase impossível. Que eles nunca tiveram relação nem de conversar. Sempre foram antagonistas. Então, essa tentativa do PT desesperada [de vincular Ciro a Bolsonaro] […] A rejeição do Ciro é a menor de todas […] Eu também estou consolidado […] Acredito que a gente está no caminho certo.
OE – Presidente, todo bom projeto, quando vai se iniciar, olha para o que tem de oportunidade, mas para o que tem de ameaça. Quais hoje são as principais dificuldades da campanha de vocês?
CW – A dificuldade, que pode não ser dificuldade se a gente considerar o que a gente tá trabalhando… Hoje o governador, de forma até arrogante, disse que tem 179 prefeitos, enquanto a gente tem só 5. Foi assim que o Cid [Gomes] venceu a eleição em 2006 contra o Lúcio [Alcântara], que o Tasso [Jereissati] venceu a eleição lá atrás. Se o modelo for o mesmo, 20 anos e o mesmo grupo no poder, eu acho que esse problema dos prefeitos não vai ser o grande gargalo da gente. Acho que o grande gargalo vai ser a gente estar presente nessas comunidades que são mais distantes. Lá nos distritos das cidades do Interior, onde a nossa capilaridade é menor, porque, se a gente não tem o prefeito, fica mais difícil chegar lá. Mas o número de vereadores que têm aderido à candidatura do Ciro e a nossa acho que tem nos dado um certo conforto de que o nosso nome vai chegar nessas comunidades por meio de vereadores e não dos prefeitos.
OE – Ciro é conhecido pela sua postura explosiva, que passa um pouco do tom, às vezes. Isso é uma preocupação? Vocês debatem isso?
CW – Sim, desde um primeiro momento, quando a gente decidiu a candidatura do Ciro, eu fui uma das pessoas a observar que era preciso que tivesse um pouco mais de paciência antes de se posicionar, que ele pudesse ser mais recatado em algumas posições, e ele, na medida do possível, tem sido muito mais recatado do que em eleições anteriores. Se a gente pegar os fatos que aconteceram do ano passado para cá, na grande maioria ele ficou calado. A Michelle veio aqui e deu uma pancada nele com a razão dela. Ele mesmo [disse] ‘Eu bati no Bolsonaro, então ela tem razão em fazer isso’.
OE – O senhor acha que tem a possibilidade do eleitor votar nacionalmente com Lula e estadualmente com Ciro?
CW – Olha, da mesma forma que tem gente que vai votar no Flávio, vai votar no Ciro, mesmo o Ciro tendo sido antagônico com o Bolsonaro, vai ter gente que vai votar no Lula, vai votar no Ciro. Tem gente que vai votar no PSD, vai votar no Ciro. Eu acho que a questão nacional vai se descolar um pouco do debate estadual por conta da figura do Ciro. Se fosse eu ou Roberto candidato, seria mais difícil. Mas o Roberto é maior do que essa disputa local e regional. O Ciro é maior do que essa disputa local. O cara foi candidato a presidente várias vezes, estava discutindo no Brasil, e veio de lá para cá.
“Colar o Bolsonaro no Ciro é quase impossível. Que eles nunca tiveram relação nem de conversar. Sempre foram antagonistas”
OE – Depois da oficialização, vocês foram ao Crato e a Barbalha, mas não foram a Juazeiro. Tem alguma questão envolvendo o apoio do prefeito Glêidson Bezerra?
CW – Não. É que a gente já tinha feito bem recentemente em Juazeiro, acho que um mês antes de lançar a candidatura do Ciro. O prefeito já declarou várias que votou no Ciro, a mulher dele é candidata federal, na Federação PSDB-Cidadania. Então, está muito resolvido e muito tranquilo.
OE – Falando de Senado, mas também de eleição. O senhor é bem cotado dentro das pesquisas de intenções de votos. Há alguma chance de o senhor abrir mão dessa indicação ao Senado e pedir “transferência de votos” para o deputado Alcides?
CW – São duas vagas, eu tô fazendo isso. Acho que a minha posição na pesquisa, a proximidade que a gente construiu com Ciro, o próprio desejo da nacional do partido de que eu seja candidata ao Senado me impede de recuar. Eu deixei isso muito à vontade até dias atrás, mas depois do que aconteceu com a Dayany, por mais que o pessoal diga que não haja perseguição, houve uma série de atropelos no processo da Dayany que tirou o mandato dela. Comigo funciona ao contrário do que funciona com outras pessoas. Se acham que isso vai me fazer recuar para eu ser candidato federal, pelo contrário, agora é que eu tenho mais vontade de ser candidato ao Senado. A Dayany deve ir para deputada federal, para a reeleição. São duas vagas [ao Senado]. Acredito que a força do Ciro pode ajudar a eleger os dois.
OE – O senador Girão disse, com outras palavras, ao O Estado nesta semana que o nome de Alcides ao Senado é um projeto familiar. O senhor concorda?
CW – Quando alguém se projeta à candidatura majoritária, necessariamente, precisa de alguém para apresentar […] Quando ele [Girão] foi candidato em 2018, ninguém conhecia o Girão. Eu fui a figura que foi apresentar o Girão para o estado do Ceará […] Eu acho que isso é um processo, que não há demérito nenhum o Alcides ser uma figura desconhecida e ser apresentado pelo filho [deputado federal André Fernandes], que quase foi eleito prefeito de Fortaleza. Então não vejo problema nenhum nisso. O Alcides pode sim construir a bandeira dele, como o Girão construiu no processo eleitoral e foi se tornando um senador respeitado.
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