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Ceará / 18.06.2026

“Sofri muita violência de gênero”, diz Giordanna Mano sobre gestão de prefeita

Presidente estadual da Federação PRD-Solidariedade falou sobre como entrou na vida pública e tensões que envolvem pré-candidatura de Júnior Mano The post “Sofri muita violência de ...

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POR O ESTADO

Publicado em 18/06/2026 às 04:00

“Sofri muita violência de gênero”, diz Giordanna Mano sobre gestão de prefeita
© FONTE: O Estado

Por Hyago Felix, Gabriela de Palhano e Kelly Hekally

Eleita duas vezes prefeita de Nova Russas, Giordanna Mano (PRD) faz parte do quadro de políticos da nova geração no Ceará. Presidente da Federação PRD-Solidariedade e esposa do deputado federal Júnior Mano (PSB), a pré-candidata à deputada federal não tem ascendência política, mas teve êxito nas duas vezes em que concorreu ao cargo eletivo e aposta este ano em uma vitória na Câmara dos Deputados, ainda que tenha optado por não passar pela Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) para tentar um mandato de deputada estadual.

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Em diálogo após a gravação do quinto episódio do videocast Caráter, Giordanna Mano falou sobre como entrou na vida pública e os desafios e mudanças no município que governou.

“As pessoas ainda achavam que eu não ia governar, quem ia governar era o Júnior. E ele me deu muito essa liberdade”. A ex-prefeita também comentou o que pensa sobre as emendas parlamentares, a expectativa de decisão acerca da pré-candidatura de Júnior Mano ao Senado e processos judiciais contra o marido.

“Até hoje não houve comprovação de irregularidades. Estamos tranquilos e confiamos na Justiça”. Confira a íntegra.

O ESTADO – Como você iniciou na política?
GIORDANNA MANO – Minha família não é política, a do Júnior [Mano] não é política, mas o Júnior já tinha um trabalho reconhecido com a população de Nova Russas. Ele foi vice-prefeito, e com dois anos de vice-prefeito saiu para deputado federal. Surgiu essa ‘vacância’ de um novo nome para para o município. O prefeito tinha o direito da reeleição, mas não queria, e fez o convite para ser a candidata. O Anderson Pedrosa que é o atual prefeito foi meu vice à época na primeira gestão e na segunda gestão. Eu não sou filha de Nova Russas: fui adotada por Nova Russas.

OE – Sua relação política com Nova Russas veio do seu perfil, de diálogo. Você pode falar um pouco mais sobre isso?
GM – Eu sofri muita violência de gênero, porque era mulher, estava grávida e não tinha uma referência política, no sentido de que eu não era de lá. Então, sofri muita violência política. As pessoas ainda achavam que eu não ia governar, quem ia governar era o Júnior. E ele me deu muito essa liberdade. Todos os programas que hoje existem lá, os próximos vão ser o novo prefeito, mas assim tudo que existe lá de programas e políticas públicas voltadas, principalmente para as pessoas carentes, eu fazia questão de acompanhar.

OE – Quando se fala de liderança feminina, pensa-se muito em cuidar, o que acaba reforçando o estigma de que a mulher é ‘só’ para cuidar. Como contribuir com essa quebra de estigma?
GM – Olhando para a minha gestão, se você for analisar Nova Russas, quando a gente fala de transformação, não fala só na educação, merenda escolar, projeto para inclusão. A gente fala numa infraestrutura de verdade. No hospital, funcionando com centro cirúrgico, estradas levando e trazendo pessoas que antes não tinham, construção de boa qualidade de creches, não é de qualquer jeito. Eu ia fiscalizar a obra. Quando tinha alguma coisa que eu via que estava mal feito eu dizia ‘Não, gente, a gente tá pagando por uma coisa boa’. 

OE – Se você for eleita, provavelmente vai se deparar com uma Câmara mais conservadora. Como pode contribuir para o fortalecimento da mulher na Casa?
GM – Não acho que exista mais essa barreira da mulher. Antes a mulher era muito utilizada como um ‘enfeite’ de chapa. As mulheres começaram a governar de verdade, a mostrar trabalho, potencial, competência e gestões mais humanizadas. Hoje ainda existe dificuldade de ter mulheres candidatas porque a gente precisa dividir muitas tarefas. Eu continuo sendo mãe de duas meninas, esposa, cuidando da minha mãe e da minha família no geral. Eu me cobro muito nisso: gosto de estar no controle para ver se está tudo certo, e muitas vezes me sobrecarrego. A gente vai aprendendo com o tempo a priorizar. No Legislativo, embora o espaço seja mais conservador, acho que está mais aberto para mulheres, porque muitas das que estão lá hoje têm voz de verdade. E é isso que a gente vai buscar. Não é só ocupar cadeira, é ter voz e fazer trabalho de verdade.

OE – Existe algum desejo seu de ser governadora do Ceará em algum momento ou até algo como o Senado?
GM: Eu nunca pensei nisso. Seria uma honra representar o Estado, mas hoje meu foco principal é ser pré-candidata à deputada federal. A gente precisa de continuidade no trabalho, não dá para ficar mudando de cargo o tempo todo. Eu estou muito focada nisso.

OE – O que você pensa das emendas parlamentares e dessa liberdade de destinação de recursos pelos deputados e senadores?
GM: Acho que existe uma falta de informação sobre isso. Dá a impressão de que não há fiscalização, mas há sim, e é muito forte. Hoje, quando você destina um recurso para a saúde, ele já vem com finalidade específica, como compra de equipamentos ou pagamento de folha. Antes havia mais liberdade do gestor municipal dentro da necessidade local, mas isso não quer dizer falta de controle. Tudo passava por burocracia legal. As chamadas ‘emendas PIX’ também são fiscalizadas pelo TCU. O recurso federal é muito mais fiscalizado do que outros, inclusive o FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. 

OE: Você acha que hoje é mais fácil “governar” sendo deputado ou senador, já que existe essa liberdade na destinação das emendas parlamentares?
GM: Na realidade, o deputado não tem como governar, esse não é o papel dele. O que ele faz é destinar recursos que estão dentro dessa relação com os prefeitos, muito baseada na necessidade de cada município. Ele identifica a demanda local e faz a destinação, mas não tem controle sobre a execução do recurso depois que ele chega ao município. Ele não pode ser responsabilizado pela execução, porque o papel dele termina no envio do recurso. Depois disso, depende da gestão municipal, que precisa estar preparada e ter gestores competentes para aplicar corretamente. Se houver problemas, o recurso pode até voltar, mas o deputado cumpriu a função dele ao destinar.

OE – Existe indefinição sobre a pré-candidatura de Júnior Mano ao Senado… O deputado vai desistir, não vai?
GM: O Júnior sempre disse que não está impondo candidatura nenhuma, mas que tem o desejo de ser candidato. Ele está em um projeto pelo Ceará e entende que isso depende do coletivo e do fortalecimento das bases. Se for para ajudar o projeto, ele está à disposição. Ele vem trabalhando sua base e lideranças. Num evento em Nova Russas há alguns meses, quando o senador Cid afirmou que ele seria o candidato, o Júnior respondeu que, se fosse o caso de o senador ser candidato, isso não estaria quebrando palavra com ele. Desde aquela época, o Júnior vem afirmando que a posição dele é coletiva, ou seja, o que for melhor para o grupo e para o projeto no Ceará. A gente está dentro de um projeto que precisa manter as bases fortalecidas. Se o Júnior está à disposição, ele está na missão e fazendo o ‘dever de casa’, que é se fortalecer junto às suas lideranças. Até posteriormente, se for preciso, também ajudar quem quer que seja. Desde março ou até antes, o Júnior sempre disse ‘Não estou impondo nenhuma candidatura, mas tenho o desejo de me candidatar’. É razoável pelo trabalho que ele vem fazendo dentro do Ceará. 

OE – Existe preocupação de vocês com os processos que envolvem o nome de Júnior Mano no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal?
GM: A família sempre sofre mais nesses momentos. Quem conhece o Júnior sabe que ele é uma pessoa que trabalha muito e tem muitas entregas pelo Ceará. No período eleitoral, surgem muitas perseguições políticas e acusações que não se comprovam. Até hoje não houve comprovação de irregularidades. Nós estamos tranquilos e confiamos na Justiça. O que se tem são pessoas falando com outras pessoas utilizando o seu nome, utilizando o meu nome e a gente não tem controle sobre isso. Eu e o Júnior como família estamos muito tranquilos com relação a isso, porque eu sou advogada, acredito na Justiça, acho que as coisas têm que andar realmente como a legislação foi feita, e a gente aguarda isso com muita tranquilidade para terminar.

OE – Quais são os seus sonhos na política?
GM – Eu já me considero muito realizada. Nova Russas me realizou como política de verdade […] tudo o que fizemos nasceu de uma entrega muito genuína às pessoas que, muitas vezes, não eram vistas. Um exemplo é o programa Meu Mundo Colorido. Ele é um projeto do meu coração. Tenho o sonho de vê-lo em todo o Ceará, não porque fui eu quem o implantou, mas porque ele funciona, cabe no orçamento público e transforma vidas. Hoje se fala muito em inclusão na política. Muitas vezes, essa bandeira é levantada apenas em períodos eleitorais, mas é importante falar de quem realmente conhece essa realidade e desenvolve um trabalho concreto […] Cada pessoa tem sua própria realidade, sua própria vivência e suas próprias necessidades […] E a política, apesar de tantas críticas, continua sendo o instrumento mais poderoso para transformar vidas, dar visibilidade a quem é invisível e fazer com que essas pessoas sejam, finalmente, enxergadas.

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