“Jornalismo que Transforma”: a imprensa na construção de uma sociedade democrática
O Estado publica “Jornalismo que Transforma”, para discutir relevância do jornalismo de qualidade na consolidação da democracia The post “Jornalismo que Transforma”: a imprensa na ...
POR O ESTADO
Publicado em 05/08/2026 às 22:32
Relatórios da Reuters publicados no primeiro semestre deste ano afirmam que 48% da população mundial desconfiam de conteúdos veiculados pela imprensa profissional, ao passo que 39% desconfiam do que é divulgado em redes sociais ou aplicativos de mensagens.
A diferença de cerca 11 pontos percentuais (p.p) evidencia o cenário de ampliação de acesso à produção de conteúdo independente no ambiente digital, bem como de sua respectiva disseminação, e aponta para um quadro cujo papel do jornalismo torna-se ainda mais fundamental para garantir a democracia e a ampliação da cidadania.
O ambiente acerca da confiabilidade na imprensa remonta também ao conceito de pós-verdade, termo definido pelo dicionário Oxford, em 2016, como palavra do ano e que define o espaço do debate público em que os fatos são relativizados em prol da interpretação ideológica de acontecimentos, muitas vezes tomada como verdade absoluta.
O perfil é uma prática que ganhou densidade na última década, mundialmente, e se relaciona diretamente à desinformação, que tem entre sua categorização as fake news, conteúdos sabidamente falsos e publicados como verdadeiros.
Diante da necessidade de fortalecimento do papel do jornalismo ante a população, o jornal O Estado publica nesta quarta-feira (5) o conteúdo intitulado “Jornalismo que Transforma”, a fim de discutir a relevância do jornalismo de qualidade.
Peso do jornalismo
Professores de Jornalismo de uma instituição privada de Fortaleza, os professores Miguel Macedo e Kátia Patrocínio defendem o peso do jornalismo profissional, apontando que a capacidade de gerar informações de interesse público funcionam como catalisadores de mudanças sociais agregadoras, sobretudo voltadas a minorias.
Jornalistas por formação, ambos reconhecem no exercício da profissão o potencial de transformação de veículos de comunicação. “Ele é o elo, a ponte que une toda essa movimentação de uma sociedade. Por meio do jornalismo, você defende a sociedade, os direitos humanos e a democracia. O desenvolvimento, a questão ambiental, política, social”, afirma o docente.
Para Kátia Patrocínio, o jornalismo, “acima de tudo, tem uma responsabilidade social imensa”. “Quando você vai fazer uma notícia, é importante estar atento à maneira como vai escrever, o que que você vai colocar, porque aquilo pode fazer diferença de uma forma positiva ou de uma maneira negativa”.
“Democracia é para viver”
O Estado pediu que cada um dos professores escolhessem uma reportagem que marcou suas respectivas carreiras por terem alcançado uma finalidade em prol da democracia. Miguel Macedo optou por rememorar o impedimento da demolição, na década de 1980, de uma capela localizada na avenida Presidente Castelo Branco, que em razão da matéria foi tombada pela Prefeitura de Fortaleza.
Vanguardista do jornalismo comunitário na Capital, Kátia Patrocínio conta uma das produções de rádio comunitária, também na década de 1980, que ajudou a desenvolver junto a jovens do bairro Conjunto Palmeiras, que criaram um “horóscopo popular”. “Foi uma sacada muito interessante de atrair jovens para que eles percebessem que também tinham um papel a desempenhar dentro da comunidade, dentro do bairro deles”.
“Sempre vi o jornalismo como essa ponte que a gente pode fazer com a sociedade. Para mim, o jornalismo tem que ser crucial no sentido de olhar para a sociedade e para quem mais precisa. Temos essa visão voltada para as questões da humanidade”, acrescenta Miguel Macedo sobre o fazer jornalístico.
*Júlia Lopes é estagiária de jornalismo e está sob orientação de editores
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