Veja cronologia do duplo homicídio do casal de comerciantes em Fortaleza
Os primeiros desdobramentos da investigação sobre o duplo homicídio que vitimou um casal de comerciantes em Fortaleza indicam que o ataque se tratou de um crime premeditado. A Pol...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 01/09/2026 às 13:47

Os primeiros desdobramentos da investigação sobre o duplo homicídio que vitimou um casal de comerciantes em Fortaleza indicam que o ataque se tratou de um crime premeditado. A Polícia Civil do Ceará (PCCE) analisou imagens de câmeras de segurança e reconstituiu a rota percorrida pelos criminosos.
As imagens mostram o trajeto feito pelos homicidas na noite dos assassinatos de Wallace Goes de Oliveira e Roseany Lima de Oliveira e foram cruciais para que os investigadores localizassem e prendessem o primeiro suspeito pelas mortes.
Antes de chegar ao trailer onde as vítimas trabalhavam vendendo lanches na última sexta-feira (28), os homicidas partiram de uma casa localizada na Rua 25 de Maio, no bairro Aracapé. Cinco minutos após trafegarem em duas motocicletas, chegaram à cena do crime pela Avenida Contorno Leste, às 22h07. Segundos depois o ataque aconteceu.
Às 22h08, outras câmeras flagraram os mesmos homens trafegando em direção à Avenida Contorno Sul, já em rota de fuga. Às 22h12, dois homens retornaram para a mesma casa de onde o trio partiu. Eles desembarcam do veículo, abrem o portão e entram no imóvel.Em posse das imagens, os policiais solicitaram ordem de busca e apreensão no imóvel, deferida pelo Judiciário. No local foram encontrados Victor Rodrigues e a esposa dele.
Victor revelou aos agentes que tinha um revólver guardado em uma gaveta do guarda-roupa. Na casa também foram encontradas drogas, dentre elas cocaína, maconha e crack, além de uma camisa azul de manga longa, com listras.
A roupa tem características semelhantes à vestimenta usada por um dos homens visto nas imagens relacionadas ao homicídio.Nessa segunda-feira (31), o suspeito teve a prisão em flagrante
R$ 5 MIL EM TROCA DE PARTICIPAR DO CRIME
Victor disse à Polícia que recebeu R$ 5 mil para dirigir uma motocicleta usada no crime. Segundo a Polícia Civil do Ceará (PCCE), o homem seria o autor dos disparos que vitimaram o casal.
A prisão teve apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP) da PCCE. lagrante convertida em prisão preventiva.Conforme documentos obtidos pela reportagem, o preso admitiu ter estado na cena do crime, mas disse que somente dirigiu uma motocicleta e que o garupeiro efetuou os disparos. Ele disse que foi abordado na mesma noite do crime, na última sexta-feira (28), com a proposta criminosa.
Além da moto usada e um revólver com numeração raspada, com Victor foram encontrados quase oito quilos de cocaína, 7,5 kg de crack e um quilo de maconha, embalados para comercialização.
Embora VICTOR tenha atribuído a execução dos disparos exclusivamente ao indivíduo que o acompanhava, as imagens, informações no local, depoimentos testemunhais, a vestimenta encontrada em sua residência e os demais elementos já colhidos constituem circunstâncias que demandam investigação acerca de sua efetiva função na empreitada criminosa, não sendo possível, neste momento, acolher como verdadeira, de forma isolada, a versão exculpatória apresentada pelo conduzido
Polícia Civil
‘Não mata o cara não’
Em depoimento aos investigadores, uma testemunha disse ter ouvido os tiros, pois estava em uma casa próxima ao trailer. Ela contou que o dono de um food truck vizinho gritou “não mata o cara não”.
A pessoa disse aos policiais que desconhecia dívidas de agiotagem ou ameaças contra o casal morto a tiros.
Outra testemunha disse também ter ouvido os disparos de arma de fogo e viu a pessoa de blusa azul subindo na garupa após a ocorrência, além de também ter ouvido a narração do dono de um trailer vizinho.
Suposto pedágio de facção
Victor foi autuado em flagrante por homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e receptação. Ele já possuía antecedentes por roubo, corrupção de menores, posse irregular de arma de fogo de uso permitido, tráfico ilícito de drogas, integrar organização criminosa e lesão corporal.
Ele apresentou versões contraditórias sobre a suposta motivação dos assassinatos e demonstrou receio de represálias de outros envolvidos.
Victor chegou a dizer, entretanto, que “ficou sabendo” que o crime podia estar relacionado à cobrança de “caixinha” de facção criminosa, briga com clientes ou agiotagem.
Essas são as linhas de investigação com as quais a Polícia trabalha.
De acordo com testemunhas ouvidas pela Polícia Militar no local do crime, o casal de comerciantes teria se negado a pagar pedágio à facção criminosa Comando Vermelho. A informação consta no relatório policial ao qual a reportagem obteve acesso.
Testemunhas ouvidas pela Polícia disseram ainda que, apesar das ameaças, o casal, por não concordar em pagar a taxa exigida, decidiu abrir o trailer e manter o funcionamento normal, ocasião em que teria ocorrido o ataque.
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