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Ceará
/ 25.07.2026
Vacinação reduziu prevalência de HPV entre jovens, aponta pesquisa
A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase pela metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Da...
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POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 25/07/2026 às 14:00
© FONTE: A Noticia do Ceará

A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase pela metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina.
Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.
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A pesquisa Pop-Brasil foi desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira etapa, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, participaram mais de 10 mil pessoas, vacinadas e não vacinadas. As amostras foram recolhidas em unidades de saúde.
Nos dois períodos, o foco foram jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:
“Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”
Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%.
Ainda assim, a vacina comprovou seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira etapa, quando apenas pessoas não vacinadas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%.
De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”:
“Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”
Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas reduz a circulação dos agentes causadores de doenças, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.
Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve alteração estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda etapa. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.
“Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.
Vacinação eficaz
Outro dado reforça a eficácia e a importância da vacina: entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, aumentou de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que ocorreu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante.
A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.
A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, inicialmente apenas para meninas, mas passou a incluir também os meninos a partir de 2017, com algumas alterações na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico foi reduzido de duas doses para apenas uma.
Atualmente, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns grupos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.
O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal responsável pelo câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos, como pênis, ânus e garganta. Nem todos os subtipos do vírus têm potencial cancerígeno, mas a vacina disponível na rede pública protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.
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