Uso incorreto de antibióticos aumenta com infecções respiratórias e preocupa especialistas
Com a proximidade do inverno e o aumento dos casos de infecções respiratórias, cresce também um hábito que preocupa especialistas: o uso inadequado de antibióticos. Na última seman...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 19/06/2026 às 19:34
Com a proximidade do inverno e o aumento dos casos de infecções respiratórias, cresce também um hábito que preocupa especialistas: o uso inadequado de antibióticos.
Na última semana, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou um alerta sobre a utilização errada desses medicamentos, incluindo o uso sem indicação médica, em doses incorretas ou por tempo inadequado.
“O uso de antibióticos deve ocorrer exclusivamente sob orientação profissional e após avaliação clínica adequada”, diz a entidade.
Segundo o infectologista Klinger Faíco, membro da SBI, a ideia de que antibióticos aceleram a recuperação de qualquer infecção ainda é bastante comum entre a população. “Durante décadas, os antibióticos foram vistos como uma espécie de ‘remédio forte’ capaz de resolver qualquer infecção”, afirma.
Embora esses medicamentos sejam fundamentais para combater infecções causadas por bactérias, eles não funcionam contra os vírus, responsáveis pela maior parte dos quadros respiratórios típicos desta época do ano.
Quais os riscos do uso inadequado de antibióticos?
Quando um antibiótico é utilizado de forma inadequada, ele exerce pressão seletiva sobre as bactérias. Isso quer dizer que os microrganismos mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que possuem mecanismos de resistência sobrevivem e se multiplicam. Com o tempo, esse processo favorece o surgimento das chamadas superbactérias, capazes de resistir a diversos tipos de antibióticos.
O impacto desse processo vai além das infecções respiratórias. “A resistência antimicrobiana compromete o tratamento de doenças comuns e ameaça procedimentos médicos que dependem da prevenção e do controle de infecções, como cirurgias, transplantes, tratamentos oncológicos e cuidados intensivos”, destaca a SBI.
Estima-se que, apenas em 2019, a resistência antimicrobiana (RAM) bacteriana tenha contribuído para 4,95 milhões de mortes no mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada seis infecções bacterianas já é resistente a antibióticos e a RAM configura uma das principais ameaças globais à saúde pública da atualidade.
O que fazer diante dos sintomas?
Ao apresentar sintomas respiratórios comuns, como tosse, coriza, dor de garganta e febre, a recomendação é evitar a automedicação e observar a evolução do quadro. Na maior parte das vezes, medidas de suporte, como hidratação adequada, repouso e controle dos sintomas, são suficientes para a recuperação.
Pessoas com falta de ar, febre persistente, dor no peito ou piora progressiva dos sintomas devem ser avaliadas por um médico, especialmente quando forem idosas. Pacientes com doenças crônicas ou com o sistema imunológico enfraquecido também precisam de avaliação.
“O mais importante é entender que nem toda infecção respiratória necessita de antibióticos e que o tratamento adequado depende de uma avaliação médica individualizada”, sintetiza Faíco.