Um alerta as mulheres de até 35 anos: AVC apresenta risco 44% maior nessa faixa etária em comparação aos homens da mesma idade
O crescimento da preocupação com os casos de acidente vascular cerebral (AVC) entre pessoas jovens acende um alerta para homens e mulheres no Brasil. Embora a doença seja mais freq...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 02/11/2026 às 18:00
O crescimento da preocupação com os casos de acidente vascular cerebral (AVC) entre pessoas jovens acende um alerta para homens e mulheres no Brasil. Embora a doença seja mais frequente entre idosos, estudos mostram que o AVC também atinge adultos com menos de 50 anos e pode provocar sequelas graves ou levar à morte. Uma revisão internacional identificou que, entre mulheres de até 35 anos, a incidência de AVC isquêmico foi 44% maior do que entre homens da mesma faixa etária. Os dados reforçam a importância da prevenção e do reconhecimento dos primeiros sintomas.
O alerta ganha destaque por ocasião do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, data dedicada à conscientização sobre os fatores de risco, a prevenção e a necessidade de atendimento rápido às vítimas.
Segundo uma revisão internacional, são registrados, anualmente, cerca de 49 novos casos de AVC para cada 100 mil homens e 40 casos para cada 100 mil mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos.
Entretanto, quando a análise se concentra especificamente no AVC isquêmico em pessoas de até 35 anos, outra revisão de estudos aponta uma incidência 44% maior entre as mulheres. Os levantamentos analisam populações e recortes diferentes e, portanto, não são contraditórios.
MULHERES JOVENS TAMBÉM PRECISAM FICAR ATENTAS AOS RISCOS
O neurocirurgião Orlando Maia explica que o risco de AVC não pode ser avaliado apenas pela idade ou pelo sexo.
“Não podemos considerar a mulher jovem protegida nem minimizar sintomas em nenhum dos sexos. Não é correto afirmar que um dos sexos seja, de forma geral, geneticamente mais predisposto ao AVC”, alerta o especialista.
Entre os fatores que exigem atenção especial nas mulheres estão a gravidez, o período pós-parto e as complicações relacionadas à pressão arterial elevada.
O uso de anticoncepcionais que contêm estrogênio também deve ser avaliado individualmente, principalmente quando associado ao tabagismo ou à enxaqueca com aura.
Segundo Orlando Maia, essas condições podem elevar o risco de AVC, mas não significam que todas as mulheres jovens tenham predisposição à doença.
ENTENDA OS DOIS PRINCIPAIS TIPOS DE AVC
O acidente vascular cerebral ocorre quando há interrupção do fluxo de sangue para determinada região do cérebro ou rompimento de um vaso sanguíneo.
O AVC isquêmico, responsável pela maioria dos casos, acontece quando uma artéria cerebral é obstruída por um coágulo, impedindo a passagem adequada do sangue.
Já o AVC hemorrágico ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando sangramento no cérebro ou nas estruturas ao redor.
Os dois tipos representam emergências médicas e exigem atendimento imediato. O diagnóstico correto é fundamental porque os tratamentos são diferentes.
ANABOLIZANTES E HORMÔNIOS USADOS SEM ORIENTAÇÃO MÉDICA TAMBÉM REPRESENTAM RISCOS
Outro alerta do especialista envolve o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes e hormônios comercializados para fins estéticos, incluindo produtos associados ao chamado “chip da beleza”.
Segundo Orlando Maia, essas substâncias, quando utilizadas sem indicação e acompanhamento médico, podem aumentar os riscos cardiovasculares e neurológicos, inclusive entre adultos jovens.
A prevenção do AVC também exige controle da pressão arterial, tratamento do diabetes, abandono do cigarro, atividade física regular e acompanhamento médico, especialmente para pessoas com histórico familiar da doença.
SAIBA RECONHECER OS SINAIS DE UM AVC
Os sintomas geralmente aparecem de maneira repentina e não devem ser ignorados.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo;
- Boca torta ou alteração súbita da expressão facial;
- Dificuldade para falar ou compreender palavras;
- Perda repentina da visão;
- Tontura intensa, perda de equilíbrio ou dificuldade para caminhar;
- Dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando acompanhada de outros sintomas neurológicos.
ATENDIMENTO RÁPIDO PODE SALVAR VIDAS E REDUZIR SEQUELAS
Diante de qualquer suspeita de AVC, a orientação é ligar imediatamente para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, e informar os sintomas apresentados.