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Ceará / 01.11.2026

Tempos estranhos

Enfim, chegamos ao final das eleições. Diga-se de passagem, a mais tumultuada da história recente. Faltaram ideias, propostas concretas, sobraram gritos, fakes News, ameaças a demo...

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POR O ESTADO

Publicado em 01/11/2026 às 21:25

Tempos estranhos
© FONTE: O Estado

Enfim, chegamos ao final das eleições. Diga-se de passagem, a mais tumultuada da história recente. Faltaram ideias, propostas concretas, sobraram gritos, fakes News, ameaças a democracia, insultos de todos os lados.
As ruas, os lares, as igrejas, as comunidades, deixaram de ser visitadas pelos candidatos. Os palanques armados em avenidas, bairros, vilas e lugarejos, foram trocados pelas redes sociais, leia-se grupos de WhatsApp das famílias, dos colegas de trabalho, dos aposentados, dos militantes e das massas empolgadas com as agressões morais e pessoais recíprocas.
Emporcalharam imagens, nomes, currículos, caminhos, histórias. Tudo virou um mar, não azul das nossas belas praias cearenses, mas de lama. Que pena. Até o aperfeiçoamento democrático não teve grandes avanços, vez que em alguns Estados da federação, teve candidatos que não aceitaram os resultados das urnas, como o Ceará por exemplo.
Ciro Gomes nem assumiu e sumiu de forma silenciosa. Como legado, apenas uma carta a “nação” cearense protestando por sido vencido.
Teve também uma turma valente que sempre colocou em dúvidas a idoneidade das urnas pátrias, porém, ao estourarem elas com um vultoso número de votos, doravante, passaram a cultuarem elas em prosas e versos. A segurança pública foi o maior debate.
Aliás, ficaram também as dúvidas: quem se locupletam dela nas urnas querem mudanças nas estatísticas? Que o nosso povo retorne às cadeiras nas calçadas? Ou que o sangue de inocentes e o odor dos corpos continuem sendo a salvação daqueles que preferem que o mar pegue fogo para muitos comerem o peixe frito? De preferência, lógico, na sombra.
Quando surgem essas afirmações ou interrogações, do outro lado da rua, questionamentos também se apontam: e quem faz culto a fome e miséria deseja que ela seja exaurida? Ou preferem que os dois temas continuem sendo regra do cotidiano?
Pois bem. As eleições se foram. Alguns comemoram, outros nem tanto. Tem quem lamba suas feridas ao silêncio, mas tem aqueles que não aceitam o resultado que se pretendia pra si, mesmo não tendo conseguido apresentar a melhor proposta ou o melhor grito nas redes sociais e nos debates.
De uma coisa fiquem certos: os grandes estadistas do Brasil, que já repousam na pátria celestial, estão mortos de vergonha pelo monturo de dejetos que restaram como alimentos para alguns tantos despercebidos.
Finalmente, resta tão somente agora, aceitarmos que as praças são dos vitoriosos e que os vencidos aceitem os resultados. Equivocados ou não. Viva a democracia!

FABRÍCIO MOREIRA DA COSTA
ADVOGADO
E CONTISTA

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