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Ceará / 24.06.2026

Tecnoestresse: como o uso excessivo da tecnologia pode afetar a saúde mental

Hoje podemos saber de tudo (os mecanismos de busca ou a inteligência artificial nos informam), aprender a fazer de tudo (as plataformas de vídeo oferecem tutoriais) ou comprar qual...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 24/06/2026 às 20:36

Tecnoestresse: como o uso excessivo da tecnologia pode afetar a saúde mental
© FONTE: Ceará Agora

Hoje podemos saber de tudo (os mecanismos de busca ou a inteligência artificial nos informam), aprender a fazer de tudo (as plataformas de vídeo oferecem tutoriais) ou comprar qualquer coisa com um único clique.

Essas mudanças transformaram nossas vidas em todos os aspectos: nossa forma de trabalhar, a maneira como nos comunicamos e nossos hábitos de lazer e descanso.

Mas toda mudança traz consequências, e o estresse tecnológico – ou “tecnoestresse” – é uma das principais no âmbito da saúde mental, causado pelo uso (intensivo) das tecnologias.

O que é o tecnoestresse?

Embora tenhamos demonizado o estresse, ele nem sempre tem efeitos negativos. Na verdade, os momentos mais felizes de nossas vidas (um casamento, um nascimento, o primeiro emprego) são momentos com níveis máximos de estresse, o que nos ajuda a lidar com as exigências desses momentos. O problema surge quando o estresse nos domina e, em vez de nos ajudar a ser mais eficazes, acaba nos prejudicando.

As novas tecnologias têm sido tão importantes que se tornaram indispensáveis. Isso faz com que não consigamos nos separar delas, muitas vezes sem necessidade. E é justamente esse uso excessivo que está causando o maior impacto sobre nossa saúde.

Efeitos sobre a saúde

O impacto do estresse tecnológico não é imediato, mas cumulativo. Ele vai se instalando em nosso organismo aos poucos, por meio de pequenas situações cotidianas, como verificar o e-mail, enviar uma mensagem no WhatsApp ou acessar uma rede social. Esse fluxo contínuo de notificações e necessidades digitais adquiridas provoca um acúmulo elevado de tempo de conexão digital.

Entre os efeitos mais comuns destaca-se a saturação mental. Da mesma forma que nosso corpo se esgota diante de uma exigência física prolongada, a mente apresenta sintomas de esgotamento. Nossa atenção vive sob uma exigência constante e os recursos são limitados.

Acreditamos que podemos dar conta de tudo, mas o cérebro humano não foi projetado para uma multitarefa constante.

É nesse momento, quando ultrapassamos nossos limites, que surgem os efeitos sobre a saúde. Sintomas como dificuldade para adormecer, ansiedade, irritabilidade ou fadiga mental podem se associar a manifestações somáticas.

Assim, a tensão emocional pode provocar dores musculares ou cefaleias, bem como problemas digestivos e alimentares, circulatórios, de pele, etc.

O estresse tecnológico é um fator precursor de doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, problemas respiratórios e cardiovasculares ou transtornos mentais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já as reconhece como uma pandemia, pois se tornaram a principal causa de morte no mundo.

Curiosamente, estas doenças tiveram um aumento exponencial na sua incidência nos últimos anos, coincidindo com a explosão da tecnologia. É que o estresse crônico é considerado um fator de risco para muitas destas doenças.

Estratégias para mantê-lo sob controle

De qualquer forma, a tecnologia não é o problema, e sim a forma como nos relacionamos com ela. É uma faca de dois gumes: nos ajuda em todas as esferas da nossa vida, mas seu uso excessivo gera riscos.

A primeira estratégia para usá-la de forma adequada, fazer um uso consciente, evitando o automático. Muitas vezes, nosso cérebro busca essa recompensa imediata e, sem percebermos, por inércia, já estamos fazendo scroll.

Aqui estão algumas perguntas que podem nos ajudar a identificar se estamos fazendo um uso adequado das tecnologias:

  • Você se lembra da última vez em que passou 48 horas sem olhar para o celular?
  • Quantas horas por dia você passa olhando para uma tela (tablet, smartphone, computador, televisão), incluindo lazer e trabalho? Mais de 6 horas já é um sintoma de sobrecarga.
  • A primeira coisa que você faz ao acordar e a última antes de dormir é verificar suas notificações ou e-mails?
  • Verifique no celular, na aba de bem-estar digital, a média diária de horas que você o utiliza. É muito mais do que você imaginava?

Estudos científicos recentes sobre estratégias de desintoxicação digital mostram que reduzir voluntariamente o uso de dispositivos digitais está associado a melhorias no bem-estar psicológico, no estresse e em comportamentos compulsivos relacionados ao uso de telas.

Caminhos para a limpeza mental

Da mesma forma que o corpo precisa de descanso quando realizamos uma atividade física intensa, a mente precisa se recuperar. O plano físico nos avisa rapidamente sobre o cansaço, nos mostra os limites. Mas nossa mente não é tão clara quanto aos sintomas.

Nesse sentido, é muito importante identificar duas variáveis simples, mas que às vezes passam despercebidas devido à correria do dia a dia. Em primeiro lugar, os fatores estressantes: todas aquelas situações que nos desgastam mentalmente (pessoas, situações cotidianas, exigências do trabalho, família, redes sociais).

É fundamental saber quais episódios de nossas vidas aumentam nossa ansiedade para que possamos nos preparar e antecipar a sobrecarga.

Em segundo lugar, é aconselhável identificar e incorporar à rotina atividades que permitam reduzir o nível de estresse. Esse aspecto requer uma autoanálise individual: que tipo de atividades conseguem proporcionar descanso mental.

A chave para responder a essa pergunta é nos perguntarmos quais atividades favorecem uma desconexão total de nossos pensamentos e conseguem captar atenção suficiente para que esqueçamos o que nos preocupa e interrompamos o turbilhão mental.

O esporte (especialmente em equipe), a leitura, a dança, o convívio com pessoas que nos trazem calma ou tocar um instrumento são exemplos de atividades que exigem concentração suficiente para nos permitir descansar de nós mesmos.

Esse tipo de ação permite a autorregulação digital e evita que nos deixemos levar pela atração das novas tecnologias. Da mesma forma, estabelecer pausas eficazes está associado a uma diminuição do uso problemático do smartphone e a uma melhora na regulação emocional.

Em suma, estar ciente do nosso uso das tecnologias é o primeiro passo para alcançar uma higiene digital adequada. Se, além disso, formos capazes de prestar atenção ao estado da nossa mente e ajudá-la a descansar, conseguiremos manter sob controle o estresse tecnológico, uma das doenças do presente e, sem dúvida, do futuro.

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