Tarifaço dos EUA acende alerta na indústria brasileira; entidades temem perda de competitividade e queda nas exportações
O anúncio da nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros já provoca forte reação do setor produtivo. Entidades representativas da i...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 17/07/2026 às 10:35
O anúncio da nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros já provoca forte reação do setor produtivo. Entidades representativas da indústria e do agronegócio alertam para impactos nas exportações, perda de competitividade, redução de investimentos e prejuízos à relação comercial entre os dois países.
A medida, anunciada pelo governo norte-americano, entra em vigor no próximo 22 de julho. Diante do novo cenário, as entidades defendem a manutenção das negociações diplomáticas para ampliar a lista de produtos isentos ou, até mesmo, reverter a decisão.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o tarifaço agrava um quadro que já vinha afetando as exportações brasileiras. Segundo a entidade, 20 dos 27 estados registraram queda nas vendas para o mercado norte-americano no primeiro semestre deste ano.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a nova sobretaxa tende a ampliar as dificuldades enfrentadas pela indústria nacional.
“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”, afirmou.
A CNI informa que as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% em 2026, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, embora o país continue sendo o principal destino dos produtos da indústria de transformação brasileira.
A Amcham Brasil também classificou a decisão como extremamente negativa para a relação bilateral. Segundo a entidade, as novas tarifas atingem mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, colocando o Brasil entre os países com maior dificuldade de acesso ao mercado norte-americano.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu a continuidade das negociações entre os dois governos como forma de reduzir os prejuízos.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lamentou a decisão e afirmou que o aumento das tarifas reduz significativamente a competitividade dos produtos brasileiros diante de concorrentes internacionais. A entidade informou que continuará atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para ampliar a lista de exceções e minimizar os impactos da medida.
Alguns segmentos já revisam suas projeções para 2026. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) elevou a previsão de queda nas exportações do setor de 3,6% para 7,1% neste ano.
Segundo o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, a sobretaxa representa um duro golpe para um mercado estratégico.
“A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas”, afirmou.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) classificou a decisão como “injustificável” e informou ter solicitado ao governo brasileiro apoio para incluir equipamentos destinados à geração, transmissão e distribuição de energia na lista de produtos isentos.
Investigação dos Estados Unidos
As tarifas foram adotadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial (USTR).
O relatório americano aponta críticas ao Brasil em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
Entre os pontos citados está o Pix, que, segundo o governo norte-americano, criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras do setor de pagamentos digitais. O documento também questiona decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais, acordos tarifários firmados com outros países, políticas ambientais e medidas de proteção à propriedade intelectual.
Novas tarifas ainda podem ser ampliadas
Além da sobretaxa de 25%, o governo brasileiro acompanha uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre supostas práticas relacionadas ao uso de trabalho forçado. Caso essa apuração resulte em novas sanções, poderá ser aplicada uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total sobre determinados produtos brasileiros para até 37,5%.
Diante desse cenário, empresários e entidades do setor produtivo reforçam o apelo para que o governo brasileiro intensifique as negociações diplomáticas, buscando preservar o acesso ao mercado norte-americano e reduzir os impactos econômicos sobre a indústria, o agronegócio e a geração de empregos no país.