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Ceará / 30.06.2026

SUS inicia projeto-piloto com semaglutida para tratamento da obesidade

O Ministério da Saúde deu início ao fornecimento gratuito de semaglutida, princípio ativo amplamente conhecido pelas “canetas emagrecedoras”, por meio de um projeto-piloto integrad...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 30/06/2026 às 17:19

SUS inicia projeto-piloto com semaglutida para tratamento da obesidade
© FONTE: Ceará Agora

O Ministério da Saúde deu início ao fornecimento gratuito de semaglutida, princípio ativo amplamente conhecido pelas “canetas emagrecedoras”, por meio de um projeto-piloto integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Batizado de Real-Bari, o estudo clínico busca avaliar a viabilidade prática, o impacto financeiro e os efeitos de longo prazo do medicamento dentro da realidade da saúde pública brasileira.

O projeto-piloto é conduzido no Rio Grande do Sul pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, e conta com o suporte financeiro da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A iniciativa deve acompanhar, ao longo de dois anos, um grupo selecionado de 250 pacientes que já realizam tratamento na instituição.

Critérios de seleção e foco do estudo

A primeira aplicação pública do medicamento foi realizada pelo motorista de aplicativo Guilherme Henrique Panichi, de 39 anos, que aguardava na fila por atendimento especializado há mais de mil dias.

Nem todos os pacientes com sobrepeso estão aptos a receber a medicação nesta fase. Para participar do programa experimental, o paciente precisa preencher requisitos rigorosos determinados pelo protocolo médico:

  • Ter diagnóstico formal de obesidade grave ou associada a outras comorbidades (como hipertensão) há pelo menos 12 meses;
  • Possuir indicação clínica para a realização de cirurgia bariátrica;
  • Comprovar falha documentada no tratamento convencional (dietas e atividades físicas) por no mínimo dois meses;
  • Demonstrar capacidade de realizar a autoaplicação ou possuir um cuidador treinado para tal fim.

Durante os 24 meses de monitoramento, os pesquisadores coletarão dados detalhados para mensurar o percentual médio de perda de peso, as alterações nos exames clínicos gerais, a evolução na qualidade de vida dos participantes e as condições pós-operatórias naqueles que passarem por cirurgias.

O desafio do impacto orçamentário

A incorporação em larga escala de análogos do GLP-1 (como a semaglutida e a liraglutida) é vista com cautela pelo governo federal devido ao custo financeiro elevado. Estimativas iniciais da pasta apontam que o fornecimento irrestrito desses medicamentos para a população elegível poderia gerar um impacto anual de aproximadamente R$ 8 bilhões aos cofres da União.

Apenas após a conclusão do estudo e a posterior análise técnica e orçamentária da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) é que o governo definirá se haverá a inclusão definitiva do tratamento na lista regular de medicamentos distribuídos pelo SUS.

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