SUS amplia tratamento para hipogonadismo e incorpora novas terapias hormonais
Pacientes diagnosticados com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico passarão a contar com novas opções de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A ampliação da assistência...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 18/06/2026 às 12:00
Pacientes diagnosticados com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico passarão a contar com novas opções de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A ampliação da assistência foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio de portarias publicadas nesta terça-feira (16/06).
A atualização contempla a incorporação de diferentes formulações de testosterona destinadas à reposição hormonal em homens com a condição, além da indução da puberdade em adolescentes do sexo masculino. Também foi aprovada a oferta de estradiol em adesivo transdérmico para adolescentes do sexo feminino que necessitam de indução puberal.
De acordo com o ministério, as áreas técnicas terão prazo de até 180 dias para disponibilizar os novos tratamentos na rede pública de saúde.

Entre os medicamentos incorporados ao SUS estão o undecilato de testosterona, o cipionato de testosterona e a combinação de quatro ésteres de testosterona (propionato, empropionato, isocaproato e decanoato) para reposição hormonal em homens. A mesma combinação também poderá ser utilizada na indução da puberdade em adolescentes do sexo masculino. Para as meninas, foi incluído o estradiol hemihidratado em adesivo transdérmico.
A inclusão dos medicamentos foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a adoção de novas tecnologias e tratamentos na rede pública.
O que é hipogonadismo?
O hipogonadismo é caracterizado pela produção insuficiente de hormônios sexuais. Nos homens, a condição resulta em baixos níveis de testosterona, enquanto nas mulheres está associada à deficiência de estrogênio. Quando classificado como hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico, o problema tem origem em estruturas cerebrais, como o hipotálamo ou a hipófise, que deixam de fornecer os estímulos hormonais necessários para o funcionamento adequado dos testículos ou dos ovários.
A doença pode ser congênita ou adquirida e provocar atraso ou ausência da puberdade, infertilidade, redução da libido, diminuição da massa muscular e da densidade óssea. Além disso, também há outros impactos na saúde física e reprodutiva.
Dados
A incorporação dos novos tratamentos ocorre em um contexto de crescimento do mercado de testosterona no país. Dados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) apontam que as vendas de undecilato de testosterona saltaram de 162 mil unidades em 2015 para mais de 640 mil em 2025, crescimento próximo de 300% em uma década.

O aumento acompanha a popularização do hormônio em redes sociais e clínicas que divulgam benefícios como ganho de massa muscular, emagrecimento, aumento da disposição e rejuvenescimento. Especialistas, contudo, alertam que as indicações médicas reconhecidas para a testosterona permanecem restritas.
Quando é recomendado?
Nos homens, o uso é recomendado para casos de deficiência hormonal comprovada, geralmente por meio de formulações injetáveis ou em gel. O hormônio também pode ser empregado em protocolos especializados de afirmação de gênero para pessoas transmasculinas. Já entre as mulheres, a única indicação reconhecida pelas diretrizes médicas é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo, após avaliação clínica detalhada e exclusão de outras causas.
Entidades como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirmam que não há respaldo científico para o uso da testosterona com objetivos como emagrecimento, ganho de massa muscular, melhora da disposição, rejuvenescimento ou tratamento da menopausa.
As instituições também criticam a utilização dos chamados “pellets hormonais”, implantes subcutâneos que liberam testosterona continuamente. Segundo especialistas, faltam evidências sobre a segurança, a absorção e a previsibilidade dos níveis hormonais proporcionados por essa forma de administração.
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