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Regional / 24.06.2026

Sony e Hitachi impulsionam recorde de US$ 100 bilhões em recompras no Japão.

Recompras de ações no Japão atingem US$ 100 bilhões, impulsionadas por Sony e Hitachi, marcando um recorde histórico para o período. O post Sony e Hitachi impulsionam recorde de U...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 24/06/2026 às 05:53

Sony e Hitachi impulsionam recorde de US$ 100 bilhões em recompras no Japão.
© FONTE: Sobral OnLine
Imagem gerada com IA

O mercado financeiro japonês testemunha um fenômeno notável: as recompras de ações por empresas listadas atingiram um patamar recorde, superando a marca de US$ 100 bilhões (equivalente a 16,2 trilhões de ienes) entre janeiro e maio. Este volume representa um crescimento expressivo de 34% em comparação com o ano anterior, estabelecendo um novo recorde para o período e aproximando-se do total projetado para todo o ano fiscal de 2025. O movimento é impulsionado, em grande parte, por gigantes como Sony e Hitachi, que buscam otimizar a eficiência de capital e reduzir participações cruzadas.

Apesar de uma leve queda no número de empresas que iniciaram programas de recompra nos primeiros cinco meses de 2026 — cerca de 620, uma redução de 14% em relação ao ano anterior —, o valor total disparou devido à magnitude das recompras realizadas por grandes corporações. Até a última sexta-feira, os programas anunciados já somavam 16,4 trilhões de ienes, evidenciando a robustez dessa tendência no cenário econômico japonês.

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Gigantes impulsionam o movimento: Sony e Hitachi lideram

Entre as empresas que lideram essa onda de recompras, destacam-se o Grupo Sony e a Hitachi. Ambas projetam lucros recordes para o ano fiscal de 2026, que se encerra em 31 de março de 2027, e anunciaram programas de recompra de até 500 bilhões de ienes cada. Essa estratégia reflete uma gestão financeira sólida e um compromisso com o retorno aos acionistas.

Tao Lin, diretor financeiro da Sony, ressaltou a crescente capacidade da empresa de gerar fluxo de caixa operacional. Isso permite à Sony não apenas impulsionar o retorno aos acionistas, mas também realizar investimentos estratégicos cruciais para seu crescimento futuro. Da mesma forma, a Hitachi, que não realizou grandes fusões ou aquisições no ano fiscal anterior, utilizou seus fortes lucros para fortalecer a remuneração de seus investidores.

Eficiência de capital e pressão de investidores

A política da Hitachi, conforme explicou sua diretora financeira Tomomi Kato, é clara: alocar fundos para investimentos em crescimento se houver oportunidades que atendam aos critérios estratégicos e à taxa de retorno mínima exigida. Na ausência dessas oportunidades, os fundos são direcionados para a recompra de ações. Essa abordagem flexível é uma ferramenta eficaz para a gestão do capital.

As ações em tesouraria, detidas por uma empresa, são deduzidas do patrimônio líquido, o que eleva o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), um indicador chave de eficiência. Diferentemente dos dividendos, que são difíceis de reduzir após um aumento, as recompras de ações oferecem flexibilidade para diminuir o caixa disponível sem compromissos de longo prazo. Essa prática continua em alta, mesmo com o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio operando em níveis recordes, refletindo a demanda dos investidores por maior eficiência de capital.

Além dos lucros: recompras como sinal de confiança

A pressão dos investidores sobre as reservas de caixa das empresas japonesas tem sido um fator determinante. Tomochika Kitaoka, estrategista-chefe de ações japonesas da Nomura Securities, observa que o caixa e equivalentes de caixa das companhias estão se acumulando, intensificando a demanda por uma utilização mais eficiente desses recursos. Um exemplo notável é a fabricante de ar-condicionado Daikin Industries, que recomprou cerca de 350 bilhões de ienes após pressão da gestora ativista Elliott Investment Management.

Outras empresas, como a KDDI do setor de telecomunicações, realizaram grandes recompras para adquirir ações detidas por outras companhias. Em maio, a KDDI anunciou uma recompra de até 300 bilhões de ienes, com aproximadamente 250 bilhões de ienes provenientes de uma oferta pública de aquisição envolvendo acionistas-chave como Toyota e Kyocera, que expressaram o desejo de se desfazer de suas participações.

O futuro das recompras: projeções e expectativas

Mesmo companhias que projetam queda nos lucros para o ano fiscal que termina em março estão implementando programas de recompra, utilizando suas amplas reservas de caixa. Cerca de 35% das empresas que anunciaram recompras em abril ou maio — aproximadamente 70 no total — previram uma redução no lucro líquido. A Fujitsu, por exemplo, projeta uma queda de 31% no lucro líquido consolidado para 310 bilhões de ienes, mas seu diretor financeiro, Takeshi Isobe, confirmou a intenção de expandir as recompras de ações para além de 150 bilhões de ienes no médio e longo prazo, focando na geração de fluxo de caixa e eficiência de capital.

Analistas de mercado preveem que as recompras de ações para o ano fiscal de 2026 completo poderão ultrapassar 20 trilhões de ienes, superando os 17,7 trilhões de ienes previstos para o ano fiscal de 2025. Esse ritmo acelerado, em meio a incertezas globais como as do Oriente Médio, é interpretado por Kitaoka como um “sinal de confiança no desempenho futuro das empresas”.

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