Senador Jaques Wagner é alvo da PF em investigação sobre elos com Banco Master
Jaques Wagner é investigado pela PF por suposta atuação em favor do Banco Master, com foco em emendas e movimentações financeiras. O post Senador Jaques Wagner é alvo da PF em inve...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 19/06/2026 às 01:46

A Polícia Federal (PF) deflagrou, em 18 de junho de 2026, a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que mira supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os principais alvos da ação está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, apontado pela corporação como um “interlocutor relevante” em temas de interesse do banco no Congresso Nacional.
As investigações sugerem que o parlamentar teria recebido vantagens financeiras para atuar politicamente em benefício da instituição financeira. A operação, que cumpre 18 mandados de busca e apreensão por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), abrange os estados da Bahia, São Paulo e o Distrito Federal, buscando aprofundar as conexões e possíveis ilícitos.
Suspeitas de Interlocução Relevante e Vantagens Indevidas
A PF baseia suas suspeitas em mensagens e ligações extraídas do celular do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Segundo os investigadores, Lima atuava como um canal direto de comunicação com Jaques Wagner, abordando uma série de assuntos estratégicos para o banco no Senado.
O fluxo constante de informações entre os dois, que incluía notícias sobre rating, estrutura acionária, o Will Bank, e a operação de venda do banco ao BRB, sugere uma relação funcionalmente direcionada, e não meramente social, conforme indicado pela autoridade policial. A PF detalha que as vantagens indevidas teriam incluído um apartamento em Salvador, repasses financeiros e até ingressos para um show da cantora Taylor Swift em 2023.
A “Emenda Master” e o Crédito Consignado sob Análise
Um dos pontos cruciais da investigação é a atuação de Jaques Wagner em temas como a PEC 65/2023, conhecida como “Emenda Master”. Esta proposta visava elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que interessava diretamente ao Banco Master, cuja estratégia de captação se apoiava em CDBs de alta rentabilidade.
A PF registrou contato frequente entre o senador e Augusto Lima durante a tramitação da emenda, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), também alvo da operação. Uma ligação de nove minutos entre Wagner e Lima, em 13 de agosto de 2024, data da apresentação da emenda, e o posterior envio do link da proposta ao parlamentar, reforçam as suspeitas.
Outra frente de interesse é a participação de Wagner na pauta do crédito consignado, especificamente na Emenda nº 30 à Medida Provisória nº 1.106/2022, que ampliou a margem consignável. Embora a emenda não tenha sido incorporada ao texto final, a PF vê a atuação do senador como um “elemento de correlação” devido à proximidade temporal com o início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner.
Tentativa de Venda ao BRB e Relações Financeiras
A tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) também está sob o escrutínio da PF. Em 29 de março de 2025, Augusto Lima enviou uma mensagem a Jaques Wagner sobre a operação, afirmando: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”. Para os investigadores, a frase indica que o senador não era um mero receptor de informações, mas um “interlocutor relevante” nos temas do grupo econômico.
A investigação aponta ainda que a PKL One, empresa associada a Augusto Lima e à plataforma Credcesta (criada após a privatização da Ebal na Bahia, com tratativas que teriam envolvido Wagner quando secretário de Desenvolvimento Econômico), teria transferido R$ 3,5 milhões à BN Financeira. O insucesso da operação de venda do Banco Master ao BRB, vetada pelo Banco Central entre março e setembro de 2025, teria sido atribuído por Augusto a atrasos nos pagamentos à BN Financeira.
Defesa do Senador e Próximos Passos da Investigação
Em sua defesa, o senador Jaques Wagner afirmou à BandNews que suas relações com Augusto Lima e outros citados na investigação foram estritamente institucionais. Ele ressaltou que, como líder do governo, se relaciona com diversos parlamentares e que a apresentação de emendas por interessados é um processo comum no Congresso.
Wagner também destacou que o governo era contra o aumento da garantia do FGC e que ele, como líder, encaminhou o voto dessa forma. Em nota, o senador reiterou que não é réu e nem foi formalmente denunciado, e que o montante citado como vantagem indevida seria fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Ele permanece à disposição das autoridades para esclarecimentos. Para mais detalhes sobre as operações da Polícia Federal, consulte fontes oficiais.
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