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Ceará / 22.10.2026

Santa Casa de Sobral capta coração e múltiplos órgãos e reforça papel decisivo da autorização familiar

Uma decisão tomada pela família em um momento de dor possibilitou uma nova captação de múltiplos órgãos na Santa Casa de Misericórdia de Sobral. Foram captados coração, fígado, rin...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 22/10/2026 às 18:57

Santa Casa de Sobral capta coração e múltiplos órgãos e reforça papel decisivo da autorização familiar
© FONTE: Ceará Agora

Uma decisão tomada pela família em um momento de dor possibilitou uma nova captação de múltiplos órgãos na Santa Casa de Misericórdia de Sobral. Foram captados coração, fígado, rins e córneas, que poderão beneficiar até seis pessoas que aguardam por um transplante.

Esta foi a quarta captação de coração realizada pela instituição em 2026.

Ao longo do ano, a Santa Casa já contabiliza ainda a doação de 11 pares de rins, nove fígados e quatro captações de córneas, consolidando o hospital como referência no interior do Ceará no processo de doação de órgãos e tecidos.

A atuação ganha relevância também pelo perfil dos pacientes atendidos pela unidade, entre eles vítimas de traumas e pessoas com quadros neurológicos graves.

AUTORIZAÇÃO DA FAMÍLIA É INDISPENSÁVEL

No Brasil, a doação de órgãos depende da autorização da família.

Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar previamente com parentes sobre o desejo de ser doador.

Informar essa decisão ainda em vida pode ajudar os familiares a compreender e respeitar a vontade da pessoa quando a autorização for necessária.

Na Santa Casa, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) acompanha diferentes etapas do processo, desde a identificação de potenciais doadores até o acolhimento das famílias.

O trabalho envolve uma equipe multidisciplinar e segue protocolos médicos específicos para garantir segurança, respeito e transparência durante todo o processo.

DA PERDA À POSSIBILIDADE DE SALVAR VIDAS

O coordenador médico da OPO da Santa Casa, Leonardo Azevedo, destaca que a doação pode representar uma nova chance para pacientes que aguardam por transplante.

Segundo ele, mesmo com todos os recursos terapêuticos disponíveis, alguns quadros graves podem evoluir para morte encefálica.

“A Santa Casa trabalha permanentemente para oferecer a melhor assistência aos pacientes vítimas de trauma ou acometidos por outras doenças graves. Entretanto, em determinadas situações, a gravidade das lesões pode resultar em uma condição cerebral irreversível, mesmo diante de todos os recursos terapêuticos disponíveis”, explica.

Leonardo ressalta que o diagnóstico de morte encefálica exige investigação criteriosa e cumprimento de protocolos específicos.

“Quando esse diagnóstico é confirmado, a doação de órgãos representa a possibilidade de transformar uma perda em esperança, beneficiando pacientes que aguardam um transplante para recuperar a saúde e a qualidade de vida”, afirma.

HOSPITAIS DO INTERIOR AMPLIAM CAPTAÇÕES

A cirurgiã da equipe de captação do Hospital Universitário do Ceará (HUC), Ingrid Sousa Barros, destaca o crescimento da participação dos hospitais do interior na doação de órgãos.

“Nos últimos anos, tanto a Santa Casa quanto outros hospitais do interior têm aumentado significativamente o número de captações. Isso contribui muito para os pacientes que estão em Fortaleza e também para aqueles que vêm do interior para realizar o transplante”, afirma.

A médica ressalta ainda que a identificação de possíveis doadores e o diálogo entre profissionais de saúde e familiares são etapas fundamentais.

“Todo o trabalho de identificação dos potenciais doadores, de diálogo com as famílias e com os médicos assistentes é fundamental. Além disso, as campanhas nos meios de comunicação, na televisão e nas redes sociais são muito importantes, porque muitas pessoas ainda desconhecem essa possibilidade”, destaca.

Para Ingrid, ampliar a informação sobre o tema pode ajudar a aumentar o número de doações.

“Divulgar a doação de órgãos é essencial. Doar órgãos é salvar vidas”, conclui.

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