Renda extra vira estratégia para driblar dívidas em Fortaleza
Pesquisa aponta que 65% dos entrevistados na Capital realizaram atividades complementares em 2025; no Ceará, mais de 52% têm dívidas The post Renda extra vira estratégia para dribl...
POR O ESTADO
Publicado em 29/10/2026 às 01:27
Um levantamento do Mapa da Inadimplência e Renegociações de Dívidas da Serasa, que avalia mensalmente os cenários de endividamento no Brasil, apontou que até agosto deste ano, 51% da população economicamente ativa estava com algum tipo de dívida. Isso equivale a mais de 83 milhões de endividados. No Ceará, o mesmo estudo indica que esse percentual passa de 52% e soma mais de R$ 3,7 milhões em dívidas.
Diante desse cenário, brasileiros e brasileiras buscam cada vez mais na renda extra uma alternativa para enfrentar este quadro desfavorável.
Em Fortaleza, um estudo do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Ipsos-Ipec, aponta que 65% dos entrevistados realizaram atividades complementares para aumentar seus rendimentos, em 2025. O percentual coloca a cidade entre as capitais brasileiras com maior incidência de renda complementar, ficando atrás apenas de Belém (70%) e Manaus (69%).
“A pesquisa demonstra que a renda extra deixou de ser apenas uma alternativa eventual e passou a representar uma estratégia importante para o equilíbrio financeiro das famílias. Entre os principais fatores que contribuem para esse cenário estão a necessidade de complementar o orçamento doméstico, o comprometimento da renda com despesas essenciais e a busca por maior independência financeira”, explicou Robson Constantino, conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade Ceará CRC-CE e membro da Comissão do Simples Nacional.
Atividades
Dentre as principais atividades utilizadas para complementar a renda estão relacionadas à prestação de serviços, comercialização de produtos e produção de alimentos. De acordo com a pesquisa Viver nas Cidades, divulgada em setembro de 2026, as atividades mais citadas foram serviços gerais, como faxinas, reformas, manutenção e jardinagem, com 18% das respostas. Em seguida aparecem a venda de roupas e objetos usados, com 13%, e o comércio de alimentos, com 11%. Além dessas atividades, existem oportunidades em segmentos como transporte e entregas por aplicativos, serviços de beleza, comércio eletrônico e prestação de serviços digitais.
Homens x Mulheres
Apesar de ser uma realidade tanto para homens quanto para mulheres, a maior incidência está entre pessoas do sexo masculino. “Se levarmos em consideração os MEIs cearenses, que em grande parte formalizam atividades iniciadas como renda extra, 55,1% são homens e 44,9% mulheres”, detalhou Constantino.
Também com base em análises sobre os MEIs no Ceará, a renda extra está presente em diferentes gerações, com destaque para pessoas 31 a 40 anos (30,1%), 41 a 50 (24,4%) e 21 a 30 (19,7%). A busca por complemento financeiro é maior entre as classes D e E, com 67%.
“É importante observar que a renda extra não está necessariamente vinculada ao desemprego. Muitas pessoas que possuem ocupação principal também desenvolvem atividades complementares para aumentar seus rendimentos, quitar dívidas ou alcançar objetivos financeiros”, disse o conselheiro do CRC-CE.
Na prática
Mesmo com uma rotina apertada, trabalhando de domingo a sábado, o vendedor Jorge Morais, 50, vê na renda extra, como motorista de aplicativo, uma oportunidade de economia extra. “Faço essa renda cinco vezes por semana, após o trabalho e, geralmente, é complemento para ter dinheiro livre para algum imprevisto e me divertir”, disse.
Já a assistente social, Sarah Pimentel, afirmou que o trabalho extra surgiu para cobrir coisas sem muita importância, mas agora integra o orçamento. “Comecei apenas para o supérfluo, porém hoje é minha maior fonte de renda. Eu não me tocava sobre a importância desse dinheiro, pois só pegava e gastava. Quando comecei a anotar, ficou mais perceptível”, disse.
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