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Mundo / 03.11.2026

Rússia lança ataque com centenas de drones e mísseis contra rede elétrica da Ucrânia às vésperas de negociações de paz

Papa faz apelo por paz em meio a negociação entre Rússia e Ucrânia A Rússia lançou uma série de ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia nesta terça-feira (3),...

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POR G1 MUNDO

Publicado em 03/11/2026 às 14:38

Rússia lança ataque com centenas de drones e mísseis contra rede elétrica da Ucrânia às vésperas de negociações de paz
© FONTE: G1 Mundo


Papa faz apelo por paz em meio a negociação entre Rússia e Ucrânia A Rússia lançou uma série de ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia nesta terça-feira (3), com dezenas de mísseis e centenas de drones. Segundo a Reuters, os bombardeios atingiram usinas e subestações elétricas e deixaram diversas regiões do país sem energia, a uma semana da retomada das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que pelo menos 33 pessoas morreram na segunda-feira (2), quando a Rússia bombardeou duas vezes uma escola que atualmente funciona como centro de distribuição de ajuda humanitária. O prédio fica na vila de Komyshuvakha, perto da linha de frente na região de Zaporizhzhia. Segundo Zelensky, cerca de 50 pessoas ainda poderiam estar soterradas nos escombros. Os ataques aconteceram menos de dois dias depois do fim de uma breve trégua humanitária na cidade de Oleshky, controlada pela Rússia. O acordo havia sido negociado com a ajuda da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A nova ofensiva aumenta as incertezas sobre as negociações que os Estados Unidos marcaram para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Em uma entrevista coletiva em Berlim, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Zelensky afirmou que os bombardeios demonstram que Moscou está mais interessada em matar pessoas do que em aproveitar a trégua humanitária para avançar nas negociações. O governo russo, por sua vez, afirmou que suas forças atacaram unidades militares ucranianas em áreas próximas a Komyshuvakha e a outros dois povoados da região de Zaporizhzhia. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, Moscou disse que até 25 militares ucranianos morreram na operação. Também afirmou ter destruído 15 veículos e uma estação de guerra eletrônica, equipamento usado para interferir em sistemas de comunicação e de orientação do inimigo. Autoridades russas também acusaram a Ucrânia de provocar um incêndio durante a madrugada em uma grande refinaria de petróleo na cidade de Yaroslavl, na Rússia. Merz cobra participação de Moscou nas negociações A Alemanha se tornou o maior apoiador da Ucrânia na guerra contra a invasão russa desde que Donald Trump voltou à Presidência dos Estados Unidos, no ano passado, e retirou o apoio financeiro americano ao país. Merz afirmou que as negociações previstas para Abu Dhabi são "o passo certo" para ajudar a encerrar os combates e defendeu que a Europa participe do processo. "Mas também diria que é importante que a Rússia finalmente se envolva em negociações sérias sobre um cessar-fogo e, posteriormente, um acordo de paz. Não vi nenhum sinal disso até agora", afirmou o chanceler à Reuters. Antes do encontro nos Emirados Árabes Unidos, a Comissão Europeia informou que realizará, nesta quarta-feira (4), uma reunião sobre a Ucrânia com representantes dos Estados Unidos, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de países europeus e do próprio governo ucraniano. Segundo Zelensky, os participantes discutirão um "plano de prosperidade" e garantias de segurança para a Ucrânia. A Otan informou que realizará novas consultas na quinta-feira (5). Ataques atingem usinas e deixam regiões sem energia Zelensky afirmou que a Rússia lançou 289 drones, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro durante a madrugada. Os ataques atingiram usinas e subestações elétricas desde o porto de Odessa, no Mar Negro, no sul do país, até Rivne, no oeste. A DTEK, maior empresa privada de geração de energia da Ucrânia, informou que três de suas cinco usinas termelétricas ficaram fora de operação. As lembranças do inverno passado, quando ataques russos deixaram milhões de ucranianos sem eletricidade e aquecimento por dias, ainda estão presentes no país. Com a chegada dos meses mais frios, a população teme novos períodos de interrupção no fornecimento. Algumas cidades já enfrentam longos cortes de energia. "Este inverno será muito difícil", afirmou Olha Hyria à agência de notícias, de 49 anos, moradora de Dnipro, no centro da Ucrânia. "A Rússia está atacando usinas de energia e de aquecimento, e isso significa que este inverno será muito difícil", disse. Em Dnipro, duas pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas nos ataques, segundo autoridades regionais. O primeiro-ministro ucraniano, Sergii Koretskyi, afirmou que uma estação ferroviária, vagões de passageiros e locomotivas também foram atingidos. Bombardeios coincidem com eleições nos EUA Zelensky chamou a atenção para o fato de que os ataques ocorreram no mesmo dia das eleições legislativas dos Estados Unidos e pediu que os aliados forneçam mais equipamentos de defesa aérea à Ucrânia. "É muito significativo que tudo isso esteja acontecendo no dia das eleições para o Congresso dos Estados Unidos. Os russos acreditam que a América não vai perceber esse sinal que estão enviando. Mas esse tipo de terror precisa ser percebido e interrompido", afirmou em entrevista à Reuters. O Ministério da Defesa da Rússia declarou que suas tropas atacaram instalações de energia em várias regiões ucranianas que abastecem fábricas militares e as Forças Armadas do país. Ao longo de mais de quatro anos de guerra, a Rússia atacou repetidamente o sistema energético ucraniano, destruindo estruturas de geração e distribuição de eletricidade e instalações de aquecimento. Os bombardeios costumam se intensificar à medida que o inverno se aproxima. Neste ano, a Ucrânia também intensificou seus ataques contra refinarias de petróleo russas. Autoridades ucranianas classificaram a ofensiva da madrugada como uma das maiores da guerra. Os bombardeios provocaram cortes de energia na capital, Kiev, e em pelo menos outras seis regiões. Também interromperam o abastecimento de água e afetaram o transporte na cidade. Em Dnipro, a moradora Nataliia Danyliuk, de 49 anos, contou que os habitantes estão estocando água, carregadores portáteis de bateria e outros itens para enfrentar possíveis interrupções nos serviços básicos. "Compramos roupas quentes e sacos de dormir. Que façam o que quiserem conosco, mas a Ucrânia resistiu, está resistindo e continuará resistindo", afirmou. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante entrevista coletiva em cúpula de líderes da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, em 16 de outubro de 2026 Yves Herman/Reuters

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