Proibição de celular nas escolas melhora convivência e concentração, aponta pesquisa
A proibição do uso de celulares em sala de aula começa a produzir efeitos percebidos por gestores escolares em todo o país. Quase um ano e meio após a adoção da norma, diretores re...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 01/07/2026 às 12:00
A proibição do uso de celulares em sala de aula começa a produzir efeitos percebidos por gestores escolares em todo o país. Quase um ano e meio após a adoção da norma, diretores relatam mudanças no comportamento dos estudantes, com destaque para redução de ansiedade, melhora na convivência e queda em episódios de violência dentro das unidades de ensino.

Os dados fazem parte de um levantamento nacional divulgado nesta terça-feira (30/06) pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Instituto Alana e a Unesco no Brasil.
Avanços
Entre os gestores ouvidos, 55% observou diminuição de conflitos e agressões físicas após a entrada em vigor da regra. No ambiente digital, a percepção de 88% é que houve recuo de práticas como cyberbullying e outras formas de violência virtual.
O impacto também é percebido na rotina escolar. A ampla maioria (95%) das direções escolares afirma que a ausência do celular contribuiu para ampliar o contato entre os alunos e fortalecer interações presenciais. Atividades fora do padrão tradicional, como dinâmicas lúdicas, artísticas e manuais, também teriam ganhado espaço, com um aumento de 67%. Paralelamente, a redução de sinais de ansiedade entre estudantes aparece como um dos efeitos mais citados, totalizando 86%.
Durante a apresentação do estudo, a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, afirmou que o uso irrestrito de celulares se tornou um desafio para o ambiente pedagógico e para a convivência entre estudantes. “Quando a escola começa a restringir [o celular], ela passa a oportunizar outras estratégias para o convívio. Isso treina nos alunos a habilidade de conviver com o outro, de olhar no olho, de aprender a lidar com o outro. E a partir disso, ele descobre quem é e quais as próprias possibilidades”, diz.

A adesão à regra também aparece em nível nacional. Segundo o levantamento, 92% das escolas brasileiras já adotou a proibição do uso de celulares para fins não pedagógicos, conforme previsto na legislação em vigor desde fevereiro de 2025. A norma alcança todas as etapas da educação básica e impede o uso dos aparelhos durante aulas, intervalos, recreios e atividades extracurriculares, embora permita o porte dos dispositivos.
A análise indica ainda reflexos no processo de aprendizagem. A maioria dos gestores (97%) relata aumento da participação dos alunos nas atividades em sala, enquanto 95% afirma ter havido melhora na capacidade de concentração durante as aulas.
Desafios
Apesar dos avanços percebidos, diretores apontam desafios para a consolidação da política. O principal deles, citado por 67%, envolve a necessidade de maior alinhamento com as famílias, especialmente no controle do uso de telas fora do ambiente escolar.

Também aparecem como prioridades a capacitação de professores para lidar com mediação tecnológica e questões de saúde mental (61%), além de investimentos em espaços de convivência e lazer dentro das escolas (60%).
Metodologia
O estudo foi realizado a partir da seleção aleatória de mais de oito mil escolas em todo o país. Desse total, cerca de três mil gestores responderam ao questionário aplicado entre março e abril deste ano, por meio digital com validação de identidade.
Após o processo de filtragem, pouco mais de dois mil formulários foram considerados válidos. O universo estimado da pesquisa alcança mais de cem mil unidades escolares, entre redes públicas e privadas. O levantamento trabalha com nível de confiança de 95% e margem de erro de cinco pontos percentuais.
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