Prevalência da obesidade cresce 118% no Brasil e acende alerta na saúde pública
A taxa de obesidade entre a população adulta no Brasil registrou aumento de 118% em 18 anos, consolidando-se como um dos principais desafios da saúde pública atual. De acordo com d...
POR O ESTADO
Publicado em 29/06/2026 às 03:41
A taxa de obesidade entre a população adulta no Brasil registrou aumento de 118% em 18 anos, consolidando-se como um dos principais desafios da saúde pública atual. De acordo com dados do sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde, o percentual de brasileiros diagnosticados com a condição saltou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024, atingindo hoje, 26,7% das mulheres e 24,4% dos homens, o que acendeu o alerta de especialistas sobre o impacto direto desse avanço no desenvolvimento de outras doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e complicações metabólicas.
Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de 31% da população adulta brasileira já vive com obesidade, enquanto aproximadamente 68% apresentam excesso de peso. O relatório ainda projeta crescimento contínuo da doença até 2030, reforçando a preocupação global em torno do tema. Especialistas apontam que a obesidade atua de forma contínua e assintomática no organismo em suas fases iniciais, funcionando como o principal fator de risco para o desenvolvimento de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e problemas articulares.
O avanço da obesidade e do sobrepeso também é registrado por profissionais de saúde no Ceará. O crescimento dos diagnósticos está associado a fatores metabólicos e de estilo de vida, como alterações hormonais, estresse, sedentarismo e hábitos alimentares baseados em produtos ultraprocessados, o que compromete os indicadores de saúde e a qualidade de vida dos cearenses.
O médico Victor Camarão destaca que o debate sobre obesidade precisa ser tratado com mais profundidade e menos julgamento. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Não se trata apenas de estética ou falta de disciplina, mas de uma condição que envolve fatores hormonais, emocionais, metabólicos e comportamentais. Quanto antes houver acompanhamento especializado, maiores são as chances de prevenção e controle”, afirma.
O comportamento sedentário, agravado pelo tempo de exposição a telas no ambiente de trabalho e de lazer, também é classificado nos relatórios de saúde pública como um fator determinante para o desequilíbrio calórico da população. Além dos impactos individuais, essa evolução progressiva das comorbidades gera reflexos diretos na estrutura de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), resultando no aumento da demanda por internações, exames de alta complexidade e tratamentos cirúrgicos de longo prazo.
“Mais do que emagrecer, o foco precisa ser saúde, qualidade de vida e prevenção de doenças futuras. O tratamento da obesidade exige um olhar individualizado e contínuo”, diz o médico Victor Camarão.
Diante do avanço dos indicadores, gestores públicos defendem a ampliação de políticas interministeriais. O foco das propostas está direcionado para a regulação da rotulagem de alimentos industrializados, a implementação de programas de conscientização nutricional na atenção primária e o fomento a espaços públicos adequados para a prática de atividades físicas nos municípios.
Principais riscos e complicações associados à obesidade
aHipertensão Arterial
aInfarto e AVC
aInsuficiência Cardíaca
aDiabetes Tipo 2
aDislipidemia
aGordura no fígado
aApneia do Sono
aOsteoartrite (Desgaste Articular)
Por Dalila Lima
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