Poluição sonora pode aumentar o risco de doenças cardíacas, indica estudo
A exposição a barulhos, frequentemente tratada como um mero incômodo urbano, tem se consolidado como um fator relevante para a saúde cardiovascular. Estudos recentes reforçam essa ...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 30/06/2026 às 14:44
A exposição a barulhos, frequentemente tratada como um mero incômodo urbano, tem se consolidado como um fator relevante para a saúde cardiovascular. Estudos recentes reforçam essa preocupação ao apontar que ouvir ruídos de trânsito, tanto com frequência quanto episódios pontuais, sobretudo durante a noite, pode desencadear efeitos significativos no coração e nos vasos sanguíneos.
Dados apresentados recentemente na Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia (ACC.26) revelam que viver em áreas com níveis elevados de ruído proveniente de transporte está associado a um risco significativamente maior de eventos cardíacos adversos graves. A pesquisa analisou mais de 1,2 milhão de adultos na região de Houston, nos Estados Unidos, entre 2016 e 2023, e identificou que indivíduos expostos a níveis mais altos de ruído tinham 17% mais chances de morrer por qualquer causa, sofrer infarto, acidente vascular cerebral ou precisar de revascularização coronária.
O estudo utilizou o Mapa Nacional de Ruído de Transporte dos Estados Unidos para classificar a exposição sonora. Níveis acima de 55 decibéis, comparáveis a uma conversa normal, já foram associados a impactos fisiológicos, como distúrbios do sono e respostas ao estresse. Entre as fontes analisadas, o barulho rodoviário apresentou a associação mais forte com eventos cardiovasculares, embora o som ferroviário tenha demonstrado maior impacto a cada aumento na intensidade.
NOITE COM BARULHOS
O ensaio clínico, realizado com 74 participantes, revelou que apenas uma noite de exposição ao ruído do tráfego rodoviário foi suficiente para prejudicar a função dos vasos sanguíneos, aumentar a frequência cardíaca e provocar alterações inflamatórias no sangue.
De acordo com o estudo, há evidências consistentes de que sono fragmentado ou insuficiente está associado a maior risco de hipertensão, doença coronariana e eventos cardiovasculares, reforçando que a qualidade do sono é um componente importante da saúde cardiovascular.