Polícia Militar usa força em desocupação da reitoria da USP e estudantes relatam feridos e detidos
A desocupação da reitoria da USP pela Polícia Militar resultou em 4 estudantes detidos e dezenas de feridos na madrugada. O post Polícia Militar usa força em desocupação da reitor...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 12/05/2026 às 23:59

A Universidade de São Paulo (USP) foi palco de uma tensa operação policial na madrugada deste domingo, 10 de maio de 2026, que culminou na desocupação da reitoria, ocupada por estudantes desde a última quinta-feira. A ação, realizada pela Polícia Militar, gerou denúncias de uso excessivo da força, resultando em dezenas de estudantes feridos e quatro detidos. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP repudiou veementemente a intervenção, questionando a legalidade e a necessidade de tal medida.
Ação Policial na Madrugada: A Desocupação da Reitoria da USP
Por volta das 4h15 da manhã, a Polícia Militar teria invadido o prédio da reitoria, utilizando bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes contra os manifestantes. O DCE Livre da USP descreveu a cena como um “corredor polonês para espancamento”, lamentando que a operação tenha ocorrido enquanto os estudantes dormiam. Além das detenções e ferimentos, a entidade estudantil relatou a destruição de materiais e pertences pessoais, bem como buscas em mochilas e barracas sem a presença de perícia.
A nota divulgada pelo DCE responsabiliza diretamente a gestão do reitor da USP, Aluísio Segurado, e do chefe de gabinete, Edmilson Dias de Freitas, por optar pela “força e pela violência da Polícia Militar” em detrimento do diálogo. A entidade enfatizou que a universidade não deveria reviver “períodos sombrios de autoritarismo”, especialmente em um dia simbólico como o Dia das Mães.
Reivindicações Estudantis e o Início da Ocupação
A ocupação da reitoria, que já durava mais de 60 horas, foi iniciada por estudantes que cobravam a retomada de negociações sobre políticas essenciais de permanência estudantil. Entre as principais reivindicações estavam melhorias nas condições de moradia e alimentação oferecidas pela universidade. O movimento buscava pressionar a administração para atender às demandas de dezenas de milhares de alunos que dependem desses auxílios para continuar seus estudos.
Nos dias que antecederam a desocupação, diversos institutos e diretorias da USP haviam divulgado notas criticando a ocupação e manifestando apoio à reitoria. Essa polarização de posicionamentos marcou o cenário que antecedeu a intervenção policial, evidenciando a tensão entre a administração e parte do corpo discente.
Controvérsia e Questionamentos sobre a Legalidade da Desocupação
O DCE Livre da USP levantou sérios questionamentos sobre a legalidade da operação de desocupação. Segundo a entidade, não havia qualquer decisão judicial de reintegração de posse que autorizasse a ação policial. A nota do diretório estudantil aponta que, mesmo em casos de ordem judicial, há regras que orientam o procedimento, como a ilegalidade de operações entre 21h e 5h, algo que teria sido desrespeitado pela Polícia Militar.
A motivação alegada para a operação, um suposto “flagrante de esbulho”, também foi contestada. O DCE argumenta que, para cessar tal situação, a medida cabível seria uma ação judicial, que não ocorreu. A entidade ressaltou que a ocupação transcorria sem registros de violência ou ameaças, e que o acompanhamento policial já estava presente, tornando a ação noturna e violenta ainda mais questionável. A falta de transparência sobre a motivação das detenções e a vasculha arbitrária de pertences pessoais foram outros pontos de crítica. Para mais detalhes sobre o contexto da ocupação, você pode consultar a matéria do Poder360.
Repercussão e Críticas à Gestão da Universidade
A ação na reitoria da USP foi associada pelo DCE à política de segurança pública do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, caracterizando-a como um dos “episódios mais violentos da história recente” da universidade. A entidade questionou a postura da reitoria, que, segundo os estudantes, escolheu a repressão em vez do diálogo, ignorando as reivindicações básicas por comida decente e moradia digna.
O DCE Livre da USP, que em 2026 completa 50 anos de fundação na luta contra a ditadura militar, reafirmou seu compromisso com a defesa dos direitos estudantis. A entidade convocou a comunidade universitária a repudiar a atitude da reitoria, que, na visão dos estudantes, “envergonha nossa história e toda a comunidade acadêmica”. A nota finaliza com a declaração de que “nossos passos vêm de longe, nossa história é de lutas e não iremos parar por aqui”, indicando a continuidade da mobilização estudantil.
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