Pesquisa revela avanços em terapia experimental contra Alzheimer
Resultados apresentados em um estudo internacional de fase 2 indicam que uma nova terapia experimental contra a doença de Alzheimer pode reduzir a progressão de alterações associad...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 17/07/2026 às 17:30
Resultados apresentados em um estudo internacional de fase 2 indicam que uma nova terapia experimental contra a doença de Alzheimer pode reduzir a progressão de alterações associadas ao avanço da condição. O tratamento deverá seguir para a fase 3 de testes clínicos, última etapa antes de um possível pedido de aprovação junto às agências reguladoras.
Os dados foram divulgados durante a Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, realizada em Londres. A pesquisa avaliou o diranersen (BIIB080), medicamento desenvolvido pela Biogen que atua sobre a proteína tau, um dos principais marcadores relacionados à evolução do Alzheimer.
A terapia tem uma abordagem diferente dos tratamentos mais recentes disponíveis para a doença, que geralmente têm como alvo a proteína beta-amiloide. O diranersen foi desenvolvido para reduzir a produção da tau, proteína associada à formação de estruturas anormais dentro das células nervosas e ao agravamento de sintomas como perda de memória e dificuldades cognitivas.

O estudo CELIA acompanhou 416 pessoas diagnosticadas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve provocada pelo Alzheimer durante 18 meses. Os participantes foram divididos em grupos que receberam diferentes doses do medicamento ou placebo.
Resultado
Entre os principais resultados, os pesquisadores identificaram uma redução de até 50% no declínio cognitivo, conforme a escala de avaliação utilizada. Também foi observada uma diminuição entre 50% e 65% da proteína tau no líquido cefalorraquidiano, além da redução dos depósitos da proteína em exames de imagem.
Segundo a Biogen, os resultados representam o primeiro caso em que uma terapia direcionada à proteína tau demonstrou, em um estudo de fase 2, redução desse marcador no cérebro acompanhada por sinais de benefício clínico. Em relação à segurança, o tratamento apresentou perfil considerado favorável durante o acompanhamento dos participantes. A pesquisa não registrou casos de edema cerebral relacionado à terapia (ARIA), efeito adverso observado em alguns medicamentos utilizados no tratamento do Alzheimer.
Aplicação
O diranersen é aplicado por via intratecal, através de uma punção lombar, permitindo que o medicamento seja administrado diretamente no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal. Os pesquisadores avaliaram três doses diferentes da terapia. A menor delas, de 60 miligramas administrada a cada 24 semanas, apresentou os resultados mais positivos entre os esquemas analisados.
A doença de Alzheimer está associada principalmente ao acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau no cérebro. Enquanto a primeira forma placas entre os neurônios, a segunda cria emaranhados dentro das células nervosas, processo relacionado à perda progressiva de funções como memória, atenção e raciocínio.
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