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Ceará / 26.10.2026

Pedido de anulação: o que Flávio Bolsonaro precisa provar e quais são os próximos passos na Justiça

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25), anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação do pleito....

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POR A NOTICIA DO CEARÁ

Publicado em 26/10/2026 às 14:04

Pedido de anulação: o que Flávio Bolsonaro precisa provar e quais são os próximos passos na Justiça
© FONTE: A Noticia do Ceará

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25), anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação do pleito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,2% do candidato do PL, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.

Foto: Ton Molina/Agência Senado

Flávio contestou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h o encerramento da votação em seções eleitorais que ainda estavam em funcionamento. O senador alegou quebra de isonomia e afirmou que não reconheceria o resultado nas condições em que a eleição ocorreu.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que a determinação não reabriu urnas já encerradas. A votação foi mantida apenas nos locais em que o recebimento de votos ainda não havia terminado, e a totalização e a divulgação dos resultados foram retomadas após as 19h. As duas campanhas haviam acionado a Justiça para solicitar a ampliação do horário, embora com pedidos e abrangências diferentes.

O que acontece agora?

O anúncio de Flávio não anula o resultado nem interrompe automaticamente os efeitos da eleição. Para que a contestação avance, a equipe jurídica do candidato terá de formalizar uma medida judicial, indicar os fundamentos legais e apresentar elementos que sustentem as alegações. Até o momento, o anúncio público foi de que o pedido seria feito; os detalhes de uma eventual ação precisam ser acompanhados.

A principal questão será demonstrar se houve irregularidade capaz de comprometer a validade da votação e se o problema teve impacto concreto no resultado. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa avaliam que a anulação enfrenta obstáculos jurídicos, especialmente diante da diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

O advogado eleitoral Fabrício Antunes afirmou, em entrevista à BBC News Brasil reproduzida por O Povo, que seria necessário identificar as seções afetadas, os horários de encerramento e de comunicação da decisão e quantos eleitores foram efetivamente impedidos de votar. Também seria preciso avaliar a dimensão do problema diante do resultado final.

A dificuldade está em demonstrar que a situação alterou a disputa. Como o voto é secreto, não é possível presumir em quem votariam as pessoas que não conseguiram votar nem atribuir preferência partidária a quem votou durante a prorrogação. O Código Eleitoral prevê a possibilidade de anulação em situações específicas, como votação marcada por fraude ou falsidade, e a realização de novo pleito depende dos requisitos legais aplicáveis ao caso.

Outro ponto que deverá entrar na análise é o fato de a própria campanha de Flávio ter solicitado à Justiça a ampliação do horário em localidades afetadas por condições climáticas e problemas de energia. O pedido da equipe do PL tinha abrangência diferente do apresentado pela campanha de Lula, que solicitou a extensão nacional. Esse histórico poderá ser considerado na avaliação dos argumentos apresentados.

O que aconteceu em casos anteriores?

Foto: Reprodução/BdF

Um dos precedentes mais recentes ocorreu após as eleições de 2022, quando o Partido Liberal, legenda de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro, questionou a confiabilidade de modelos de urnas eletrônicas utilizados no segundo turno e pediu uma verificação extraordinária dos equipamentos.

Na ocasião, o TSE rejeitou o pedido por falta de elementos que justificassem a medida. O tribunal também concluiu que o partido havia agido de má-fé ao apresentar a contestação e confirmou uma multa de R$ 22,9 milhões. A decisão não foi uma anulação do pleito, mas um exemplo de como a Justiça Eleitoral pode reagir a questionamentos que não atendam aos requisitos jurídicos e probatórios.

O episódio de 2022 não é idêntico ao atual: naquele caso, o PL questionou os equipamentos e a identificação das urnas; agora, Flávio concentra sua contestação na prorrogação do horário de votação e na alegação de tratamento desigual entre eleitores.

A legislação eleitoral prevê instrumentos para contestar atos e mandatos, mas eles exigem fundamentos e provas compatíveis com cada tipo de ação. Uma das possibilidades previstas na Constituição é a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), que pode ser apresentada até 15 dias após a diplomação e exige provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. A definição da medida adequada, porém, dependerá dos fundamentos que a defesa de Flávio efetivamente apresentar.

Por enquanto, o cenário é de uma contestação anunciada, ainda sujeita à formalização e à análise judicial. O desfecho dependerá dos argumentos apresentados, das provas reunidas e da avaliação da Justiça Eleitoral sobre a existência de irregularidades e sua relevância para o resultado da eleição.

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