Operação do MP investiga fraude de R$ 43 milhões em Juazeiro do Norte; vereador licenciado Felipe Vasques é alvo de medidas judiciais
O Ministério Público do Estado do Ceará, por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção, com apoio do Núcleo de Apoio Técnico à Investigação e da Polícia Civil, deflagrou, nesta...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 02/09/2026 às 13:50
O Ministério Público do Estado do Ceará, por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção, com apoio do Núcleo de Apoio Técnico à Investigação e da Polícia Civil, deflagrou, nesta quarta-feira (2), a Operação “Aletheia”, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos em contratos firmados pela Prefeitura de Juazeiro do Norte.
A operação cumpriu 15 mandados de busca e apreensão nos municípios de Juazeiro do Norte e Barbalha, além de medidas cautelares contra um agente público municipal. Entre elas estão a suspensão do exercício do cargo e da função pública, bem como a proibição de manter contato com outros investigados e de frequentar determinados locais.
O alvo das medidas é o vereador licenciado Felipe Vasques (PSDB), que presidia a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte antes de se afastar do mandato para disputar uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026. Em nota, Vasques negou qualquer irregularidade na aplicação de recursos públicos.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontam para um suposto esquema de direcionamento de licitações, fraude em contratações públicas e desvio de verbas em contratos de obras e serviços de engenharia, cujo valor estimado supera R$ 43 milhões.
De acordo com os investigadores, empresas formalmente distintas seriam controladas por um mesmo grupo, utilizando pessoas interpostas e empresas de fachada para direcionar contratos, manipular processos licitatórios e ocultar o destino dos recursos públicos.
As diligências foram realizadas em residências, empresas e outros endereços ligados aos investigados, com o objetivo de apreender aparelhos eletrônicos, documentos contábeis, financeiros e empresariais que possam contribuir para o aprofundamento das investigações.
Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o acesso a dados telemáticos e a extração do conteúdo dos dispositivos eletrônicos apreendidos. As medidas buscam identificar outros possíveis envolvidos, esclarecer o funcionamento do esquema e rastrear o destino dos recursos que teriam sido desviados.
Significado da operação
O nome “Aletheia” tem origem no grego e significa “verdade” ou “desvelamento”, fazendo referência ao objetivo da investigação de revelar estruturas empresariais supostamente utilizadas para ocultar os verdadeiros beneficiários dos contratos públicos.
O Ministério Público apura, em tese, a prática dos crimes de fraude em licitações e contratos públicos, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva. Como o procedimento tramita sob sigilo judicial, o órgão informou que não divulgará outros detalhes nesta fase das investigações.