CEARÁNOTÍCIAS24H

O portal da verdade
Plantão
Ceará / 17.07.2026

O Tarifaço dos EUA atinge exportadores do Ceará e mantém US$ 11 bilhões em produtos brasileiros sob risco

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros ampliou a preocupação do setor produtivo com a perda de compe...

person

POR CEARÁ AGORA

Publicado em 17/07/2026 às 10:37

O Tarifaço dos EUA atinge exportadores do Ceará e mantém US$ 11 bilhões em produtos brasileiros sob risco
© FONTE: Ceará Agora

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros ampliou a preocupação do setor produtivo com a perda de competitividade, a queda das exportações e o enfraquecimento das relações comerciais entre os dois países. Os efeitos também chegam ao Ceará, atingindo segmentos que dependem do mercado norte-americano.

Embora a nova lista de exceções preserve produtos estratégicos, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás natural e componentes aeroespaciais, entidades empresariais avaliam que a medida continua representando um obstáculo relevante para a indústria brasileira.

Segundo a Amcham Brasil, aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio permanecerão sujeitos à sobretaxa, que entrará em vigor no dia 22 de julho. Esses produtos poderão perder espaço no mercado norte-americano diante do aumento dos custos e da concorrência com mercadorias de outros países.

A entidade alerta que a decisão ocorre em um momento de retração do comércio bilateral. Neste ano, o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos acumula queda de 13%, levando a participação norte-americana no comércio exterior brasileiro ao menor patamar da série histórica.

Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a retomada das negociações entre os dois governos é o caminho mais eficaz para reduzir as barreiras.

“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. As negociações seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla”, afirmou.

Abrão Neto também alertou para o risco de novas restrições. Uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos poderá resultar em tarifa adicional de 12,5%, elevando a tributação sobre determinados produtos brasileiros para até 37,5%.

Governo estima impacto menor

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou uma estimativa inferior à da Amcham. Considerando os dados de 2024, ele calcula que a sobretaxa atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.

Com base na pauta exportadora de 2025, o percentual cairia para 15%, ou aproximadamente US$ 5,8 bilhões. O ministro e o titular da Fazenda, Dario Durigan, sinalizaram que o governo prepara medidas para reduzir os prejuízos das empresas afetadas.

Exceções aliviam parte dos setores

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a ampliação das isenções amenizou parte dos impactos, mas não eliminou os prejuízos. Entre os produtos que permanecem expostos estão molduras de madeira, granito, álcool etílico, açúcar bruto, carne suína, pasta química de madeira e equipamentos industriais.

A lista de produtos isentos passou de 1.698 para 2.126 códigos tarifários, com a inclusão de 429 itens, entre eles ferro-gusa, hidróxido de alumínio, café instantâneo, mel orgânico, tilápia e lagosta. Segundo a CNI, as novas exceções retiraram aproximadamente US$ 2,3 bilhões do volume inicialmente ameaçado.

“A ampliação da lista representa um alívio para alguns setores e demonstra que o diálogo produziu efeitos práticos. É um avanço importante, mas ainda distante do cenário ideal”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Levantamento da MB Associados estima que 24% da pauta brasileira de exportações para os Estados Unidos continuará exposta à sobretaxa. Máquinas e equipamentos, além dos setores de madeira e móveis, estão entre os mais atingidos.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) também criticou a medida e afirmou que não existe justificativa econômica para a imposição das tarifas. Para as entidades produtivas, a prioridade agora é intensificar o diálogo diplomático e comercial para preservar exportações, empregos e investimentos, inclusive nos estados exportadores, como o Ceará.

Informe Publicitário Publicidade Rodapé