O Sagrado, a religião e o sentimento religioso [timor deorum – o temor dos deuses]
Deus em si mesmo é ainda algo à parte? O sagrado existe no espírito humano independentemente da experiência? Por que a crença nos mortos, o culto aos ancestrais, feitiços, mitos, a...
POR O ESTADO
Publicado em 14/05/2026 às 03:01
Deus em si mesmo é ainda algo à parte? O sagrado existe no espírito humano independentemente da experiência? Por que a crença nos mortos, o culto aos ancestrais, feitiços, mitos, adoração de objetos da natureza e o receio demoníaco estão nos primórdios da história da religião?
O campo religioso é um campo da experiência humana que apresenta algo próprio, que aparece apenas nele: a religião não se esgota em seus enunciados racionais. Ela também é composta pelo enunciado irracional, isto é, pelo indizível, que foge totalmente à apreensão conceitual, uma vez que nenhum conceito esgota a ideia de divindade.
O termo “sagrado” (heilig) sempre esteve ligado a um atributo moral no campo religioso. Porém, em línguas antigas, esse termo significava algo mais, e outros significados são reinterpretações racionalistas do termo. Alguns especialistas definem a religião e o sentimento religioso [timor deorum — literalmente “temor dos deuses”] como uma experiência comunitária. Outros, seguindo uma abordagem antropológica, dizem que, ao levar em conta o contexto histórico das religiões e suas especificidades, nota-se como elas se modificaram de acordo com os processos de poder, as condições sociais e as práticas cotidianas.
Diferentes civilizações se moldaram ao redor de elementos religiosos. Por exemplo: dependendo da estrutura social da sociedade, a entidade máxima teria uma característica mais forte — para determinados pastores nômades, Deus era um bom pastor; para populações de servos e nobres, ele era um rei; depois, também era um justo juiz, um negociante que paga nossas dívidas, um comandante que envia seu exército para guerrear por nós ou, até mesmo, um grande arquiteto.
Seja como for, o pensamento simbólico é uma das características mais marcantes do ser humano, e a crença faz parte disso, sendo uma projeção sobre algo que não se concretizou. Ao entender esse conceito, observa-se que todo o pensamento da humanidade está estruturado com base em diferentes crenças. Assim sendo, a religião também é pautada nisso — embora não detenha o seu monopólio, ou seja: é possível crer sem possuir uma religião.
Finalmente, para Max Weber, as formas mais elementares do comportamento motivado por fatores religiosos ou mágicos [CREDO ET SUPERSTITIO] são orientadas para o mundo terrestre. Os atos ditados pela religião ou pela magia devem ser realizados “a fim de se conquistar a felicidade e uma longa vida na terra”.
“Quamvis opinione unusquisque sua, nemo evadit quaestionem divini.”
FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE
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