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Ceará / 23.07.2026

O candidato que tenta transformar curtidas em votos

  Durante décadas, a política brasileira seguiu um roteiro conhecido: primeiro surgia o partido, depois a liderança. Com Renan Santos, a lógica parece invertida. A liderança n...

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POR A NOTICIA DO CEARÁ

Publicado em 23/07/2026 às 10:43

O candidato que tenta transformar curtidas em votos
© FONTE: A Noticia do Ceará
Renan Santos nos protestos das “Jornadas de Junho”

 

Durante décadas, a política brasileira seguiu um roteiro conhecido: primeiro surgia o partido, depois a liderança. Com Renan Santos, a lógica parece invertida. A liderança nasceu nas redes sociais e, só depois, ganhou um partido para disputar a Presidência da República.

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É isso que faz da candidatura uma das experiências políticas mais curiosas das eleições de 2026. Não pelos números das pesquisas, mas pelo teste que ela representa: afinal, uma força construída quase exclusivamente na internet consegue se transformar em votos?

Nos últimos dias, essa discussão ganhou um ingrediente inesperado. Ciro Gomes afirmou que não descarta apoiar Renan Santos na disputa pelo Palácio do Planalto. O ex-ministro fez ressalvas, dizendo que o fundador do MBL “comete exageros” em algumas posições, mas reconheceu que ele representa um fenômeno político que merece atenção. A declaração ajudou a colocar a candidatura em um novo patamar de visibilidade.

Os números ajudam a entender esse interesse. Nas pesquisas da Quaest, Renan aparece com até 3% das intenções de voto. Nas redes sociais, porém, o cenário é bem diferente. Levantamento da consultoria Bites aponta mais de 13 milhões de interações em junho, desempenho próximo ao do presidente Lula e superior ao de outros presidenciáveis da direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Renan não surgiu agora. A projeção nacional veio com o Movimento Brasil Livre, criado após as manifestações de 2013 e fortalecido durante o impeachment de Dilma Rousseff. O grupo apoiou Jair Bolsonaro em 2018, mas rompeu com o então presidente poucos anos depois. Dessa ruptura nasceu o Partido Missão, legenda criada em 2025 e que agora serve de plataforma para a candidatura presidencial.

Mais do que apresentar um novo partido, Renan tenta ocupar um espaço que ainda permanece em disputa na política brasileira: o do eleitor que rejeita tanto o PT quanto o bolsonarismo. Não por acaso, costuma citar Javier Milei e Nayib Bukele como referências e aposta em um discurso de oposição ao sistema político tradicional.

Talvez esteja aí o aspecto mais interessante dessa candidatura. Diferentemente dos partidos tradicionais, o Missão não nasceu nos diretórios municipais nem nas articulações regionais. Surgiu no ambiente digital e agora tenta fazer o caminho inverso: transformar influência nas redes em organização política e votos nas urnas.

É cedo para saber se essa estratégia será suficiente para torná-lo competitivo. Mas talvez essa nem seja a principal questão.

A eleição de 2026 pode mostrar, pela primeira vez, se uma liderança construída quase inteiramente na internet é capaz de romper a barreira das redes sociais e disputar espaço, de igual para igual, com os partidos tradicionais.

Mesmo que não chegue ao segundo turno, Renan Santos pode protagonizar um dos experimentos políticos mais interessantes desta eleição.

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