Nova cirurgia reconstrói clitóris durante tratamento de câncer de vulva
Quase 40 anos após a primeira reconstrução do pênis depois de um câncer, realizada em 1987, pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda, desenvolveram uma té...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 21/10/2026 às 15:31
Quase 40 anos após a primeira reconstrução do pênis depois de um câncer, realizada em 1987, pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda, desenvolveram uma técnica para reconstruir o clitóris durante o tratamento do câncer de vulva. A proposta é preservar a sensibilidade e a possibilidade de orgasmo quando parte do órgão precisa ser retirada para remover o tumor.
Os resultados publicados na revista científica Gynecologic Oncology mostram que 16 das 18 pacientes submetidas ao procedimento conseguiram ter orgasmo clitoriano após a operação, o equivalente a 88,9% do grupo.
Como funciona a reconstrução
Quando o câncer atinge a região do clitóris, a cirurgia pode exigir a retirada parcial ou completa do órgão. Segundo o hospital, anteriormente a ferida era fechada, deixando o tecido remanescente sob uma camada de pele, com pouca atenção à recuperação da função sexual.
A nova abordagem, desenvolvida pela ginecologista oncológica Mieke ten Eikelder e pelo cirurgião plástico Tim Nijhuis, utiliza o tecido preservado após a remoção do tumor.
Os profissionais liberam e reposicionam estruturas com nervos para formar uma nova ponta do clitóris, recoberta com um pequeno enxerto retirado da mucosa da boca.
O estudo descreve a adaptação de um método utilizado na reconstrução após mutilação genital feminina. A técnica preserva nervos e vasos sanguíneos e acrescenta aproximadamente 15 minutos à operação. Duas das 18 pacientes apresentaram complicações relacionadas especificamente à reconstrução, uma proporção de 11,1%.
Como identificar o câncer de vulva
O câncer de vulva é um tumor raro que atinge a parte externa dos órgãos genitais femininos, incluindo os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a região do períneo.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é mais comum após a menopausa e pode estar associada à infecção pelo HPV, a doenças crônicas da pele e ao enfraquecimento das defesas do organismo.
Principais sinais e sintomas do câncer de vulva
- Coceira persistente na região da vulva.
- Mudanças na cor da pele, com áreas esbranquiçadas, avermelhadas ou escurecidas.
- Nódulos ou caroços na vulva.
- Dor ou sensação de queimação ao urinar.
- Sangramento ou secreção anormal.
- Feridas que não cicatrizam.
Recuperação da sensibilidade
Em uma atualização que reúne 23 mulheres operadas, o hospital informou que aproximadamente 90% conseguiram voltar a ter orgasmo clitoriano, geralmente entre três e seis meses após a cirurgia. No início, a região pode ficar mais ou menos sensível, e a recuperação costuma atingir o melhor resultado após um ano.
A reconstrução está sendo introduzida em outros hospitais da Holanda dentro de um programa de pesquisa. A próxima etapa avaliará seus efeitos sobre a função sexual e a qualidade de vida, além da incorporação à rotina de atendimento.
Os resultados publicados demonstram que a operação é tecnicamente viável, mas os autores ainda indicam a necessidade de avaliação prospectiva, com acompanhamento planejado das pacientes.