Mulher leva 30 picadas de abelha por semana para controlar doença
Já imaginou levar mais de 30 picadas de abelha por semana? Agora imagine se isso tiver de ser feito por você mesmo. Essa é a última opção de tratamento realizada semanalm...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 21/07/2026 às 16:06
Já imaginou levar mais de 30 picadas de abelha por semana? Agora imagine se isso tiver de ser feito por você mesmo. Essa é a última opção de tratamento realizada semanalmente pela norte-americana Savannah Spoor, de 23 anos.
Diagnosticada com a doença de Lyme – uma infecção bacteriana transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes infectados pela bactéria Borrelia burgdorferi –, a condição afeta a pele, as articulações (causando fortes dores e artrite, especialmente nos joelhos), o sistema nervoso e o coração. Essa doença também já foi diagnosticada em famosos, como Justin Bieber, Justin Timberlake e Avril Lavigne.
O tratamento para a doença de Lyme consiste na administração de antibióticos específicos em clínicas ou hospitais, por cerca de 10 a 21 dias, quando a infecção é identificada precocemente. Porém, em estágios avançados ou com sintomas neurológicos, pode ser indicado o tratamento intravenoso.
Em alguns casos, mesmo após a cura, o indivíduo pode apresentar sintomas residuais que persistem durante algum tempo. Foi o que aconteceu com Savannah.
Diagnóstico que virou sua vida de ponta-cabeça
Tudo estava evoluindo e se encaixando na vida dela. Natural de Seattle, nos Estados Unidos, havia começado a faculdade em 2021, viajava nas horas vagas e estava prestes a iniciar um negócio com a irmã.
Durante dois anos, ela conseguiu levar uma vida relativamente normal. Apesar de sentir um pouco de dor, acreditava que isso fazia parte da fase que estava vivendo. Mas, em 2023, de repente seu quadro mudou.
“Levantei-me da mesa de jantar e o mundo inteiro ao meu redor começou a girar. E isso não parou por anos”, relatou para a revista People.
Ela relata que, a partir desse momento, passou a sentir uma série de sintomas da doença, que pioravam cada vez mais. Savannah começou a ter dificuldades para andar, dirigir, frequentar aulas ou desenvolver qualquer atividade cotidiana.
Os sintomas, na maioria das vezes, eram: tontura, dores de cabeça, náuseas, dores nas articulações, dormência, dificuldade para se lembrar de palavras, além de alterações na visão e na audição.
Ela foi a três prontos-socorros, consultou cardiologistas, neurologistas, gastroenterologistas e médicos particulares. Todos eles diziam que não se tratava de um problema médico agudo. Assim, a norte-americana passou a acreditar que sua condição era crônica.
Quando recebeu de fato o diagnóstico de doença de Lyme, ela se sentiu aliviada por um lado, pois poderia procurar um tratamento específico. “Ninguém deseja um resultado positivo no teste, mas quando você passa anos procurando respostas, a única coisa pior do que receber um diagnóstico é não receber nenhum. Então, lembro-me de me sentir realmente validada. Foi reconfortante saber que havia uma razão real para eu não estar me sentindo bem”, desabafa.
Tratamento com veneno de abelhas
Antes mesmo de tentar diversos tratamentos convencionais, Savannah já cogitava a terapia com abelhas, pois havia acompanhado a experiência de uma mulher por uma rede social.
Ela tentou diversas abordagens terapêuticas, como monitores cardíacos, endoscopia, colonoscopia, ressonância magnética, antibióticos, oxigenoterapia hiperbárica, ozonioterapia, naltrexona em baixa dose, terapia com microcorrentes, azul de metileno e infusões de vitamina C em alta dose. Mas nenhum parecia ajudá-la. “Para muitas pessoas que lutam contra a doença de Lyme, é o último recurso”, destaca.
Ao saber de um programa de terapia com abelhas, ela logo se inscreveu. Nos primeiros meses, relata que foi difícil, pois o tratamento é doloroso e desconfortável.
O protocolo feito por Savannah consiste em administrar 10 picadas de abelha três vezes por semana, chegando a um total de 30 picadas. As abelhas utilizadas por ela vêm de um casal que administra um apiário na Carolina do Sul.
Ela ressalta que, as abelhas que não usa, solta na natureza, e as que morrem, ela também devolve à natureza. Além disso, as que são enviadas a ela já estão no seu ciclo final de vida.
O tratamento com abelhas para a doença de Lyme apresenta ação antimicrobiana direta e tem um potente efeito anti-inflamatório. Apesar de se mostrar promissor, os médicos alertam que ainda não há uma confirmação científica que possa constatar a eficácia do método.
“Eu acredito nas propriedades curativas do veneno de abelha e realmente acho que é um tratamento que pessoas com doença de Lyme deveriam considerar. A terapia com veneno de abelha é um remédio antigo usado há milhares de anos e, na minha experiência, pode ser eficaz quando realizada com as medidas adequadas”, diz ela.