Motorista de aplicativo é absolvido após prisão por engano no Ceará
A Justiça do Ceará absolveu o motorista de aplicativo Guilherme Souza Ferreira, que foi preso em 2023 após ser confundido com um suspeito investigado por crimes graves na Região M...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 30/06/2026 às 13:46

A Justiça do Ceará absolveu o motorista de aplicativo Guilherme Souza Ferreira, que foi preso em 2023 após ser confundido com um suspeito investigado por crimes graves na Região Metropolitana de Fortaleza. O jovem passou mais de dois meses detido e respondeu ao processo criminal por quase três anos até ter a inocência reconhecida pela Justiça.
A prisão aconteceu no dia 5 de setembro de 2023, em Maracanaú. Guilherme foi abordado na porta de casa, algemado e levado por policiais. Na época, ele foi apontado como suspeito de envolvimento em crimes como homicídio, tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O motorista sempre negou qualquer participação e afirmou que nunca teve ligação com armas, drogas ou atividades criminosas.
De acordo com a investigação inicial, o nome de Guilherme teria sido associado ao de um suspeito que atuava como motorista de aplicativo desde 2018 e usava um número de telefone que já havia pertencido ao jovem. A Polícia Civil também apontava que o perfil dele seria semelhante ao do investigado. A defesa, no entanto, apresentou elementos que contradiziam essa versão.
Entre os pontos levantados pelos advogados, estava o fato de que Guilherme só começou a trabalhar como motorista de aplicativo em 2023. Em 2018, ano citado na investigação, ele ainda era menor de idade e não possuía Carteira Nacional de Habilitação. A defesa também afirmou que ele nunca esteve em Itapajé, cidade onde o verdadeiro suspeito já teria sido preso anos antes.
Outro ponto considerado relevante foi o antigo número de celular de Guilherme. Segundo a defesa, o aparelho do jovem havia sido roubado no passado, e ele perdeu o acesso à linha telefônica. Como não registrou boletim de ocorrência na época, o número teria continuado vinculado a ele, o que pode ter contribuído para a confusão de identidade. A suspeita é de que criminosos tenham usado dados fraudados para praticar delitos.
Guilherme permaneceu preso por mais de dois meses até que a Justiça determinasse o relaxamento da prisão por falta de provas. Mesmo solto, o processo continuou em andamento, e o motorista relatou ter vivido durante anos com medo de ser novamente abordado e voltar para a cadeia. Durante o período em que esteve preso, ele também perdeu os primeiros meses de vida do filho recém-nascido.
Na decisão de absolvição, o juiz destacou a fragilidade das provas apresentadas contra o motorista. Conforme apuração da TV Verdes Mares, a sentença ressaltou que uma condenação criminal exige prova segura de autoria, não sendo suficiente a existência de elementos indiretos ou informações extraídas apenas de perfis virtuais.
Com a absolvição, a família de Guilherme informou que pretende buscar indenização junto ao Estado do Ceará pelo período em que ele ficou preso indevidamente e pelos danos provocados pelo processo. O caso expõe os impactos de uma investigação baseada em identificação equivocada e levanta debate sobre os cuidados necessários no uso de dados telefônicos, perfis digitais e informações pessoais em apurações criminais.
Fonte: G1
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