Monopólio do crime avança e ameaça economia: realidade do Rio encontra paralelo no Ceará
Monopólio do crime avança e ameaça economia: realidade do Rio encontra paralelo no Ceará CN7O avanço das facções criminosas sobre atividades econômicas essenciais, retratado em rep...
POR CN7
Publicado em 27/07/2026 às 11:00
O avanço das facções criminosas sobre atividades econômicas essenciais, retratado em reportagem do jornal O Globo no Rio de Janeiro, também encontra reflexos cada vez mais evidentes no Ceará. Se antes o foco dos grupos era exclusivamente o tráfico de drogas, hoje as organizações criminosas ampliam sua atuação para controlar mercados, impor taxas ilegais, extorquir comerciantes e dominar serviços considerados estratégicos para a população.
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No Rio, investigações apontam que traficantes e milicianos passaram a controlar a venda de gás de cozinha, internet, TV clandestina, materiais de construção, água mineral, carvão, alimentos, transporte alternativo e até medicamentos. Em muitos bairros, moradores e comerciantes são obrigados a comprar produtos apenas de fornecedores autorizados pelos criminosos, sob pena de sofrer ameaças ou represálias.
Embora o cenário fluminense seja mais consolidado, o Ceará apresenta sinais semelhantes de expansão desse modelo criminoso.
Nos últimos anos, o Estado registrou uma série de casos em que facções passaram a interferir diretamente na economia local. O exemplo mais evidente ocorreu com provedores de internet. Empresas tiveram redes destruídas, equipamentos incendiados e funcionários ameaçados após se recusarem a pagar valores exigidos por criminosos. Em diversas cidades da Região Metropolitana de Fortaleza, provedores encerraram as atividades diante da pressão das organizações criminosas. As investigações apontaram que os grupos pretendiam assumir o controle da prestação do serviço ou cobrar mensalidades das empresas para permitir o funcionamento das operações.
Outro caso que chamou atenção foi a cobrança de “taxas” sobre comerciantes e empresários que eram obrigados a pagar valores periódicos para continuar funcionando em determinadas comunidades dominadas por facções. Quem se recusava era alvo de ameaças. Em Itapajé, o proprietário de bar foi assassinado por não pagar, com reajuste, o valor cobrado pelo crime organizado.
Em bairros de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú e Maranguape, moradores relatam restrições para circular entre comunidades rivais, expulsões de famílias e imposição de regras próprias, características semelhantes às observadas em áreas dominadas por facções no Rio de Janeiro.
As forças de segurança do Ceará têm intensificado operações para combater esse tipo de atuação. A Operação Strike, por exemplo, foi criada especificamente para identificar e prender integrantes envolvidos nos ataques contra provedores de internet e na tentativa de monopolizar o serviço em comunidades dominadas pelo crime organizado.
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O cenário demonstra que o crime organizado deixou de atuar apenas no mercado ilegal e passou a disputar espaço na economia formal. O objetivo é controlar serviços indispensáveis e aumentar o faturamento, ampliar sua influência sobre moradores, comerciantes e empresários, transformando comunidades inteiras em territórios sob domínio criminoso.
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