Milton Guedes revisita a obra de Lulu Santos em Fortaleza
Em entrevista ao Jornal O Estado, cantor e multi-instrumentista fala sobre a carreira solo, o show no Teatro Claro Mais em Fortaleza e os aprendizados com grandes nomes da música b...
POR O ESTADO
Publicado em 18/06/2026 às 17:58
Por Felipe Palhano
Depois de dividir os palcos com alguns dos maiores artistas do país e integrar por muitos anos a banda de Lulu Santos, Milton Guedes chega a Fortaleza com o espetáculo “Milton Canta Lulu”, que será apresentado no dia 20 de junho, no Teatro Claro Mais, no Via Sul Shopping. Mais do que um tributo, o show é uma imersão na trajetória de um dos maiores nomes do pop brasileiro, construída por alguém que acompanhou essa história de dentro do palco.
“Me sinto um privilegiado por poder carregar com propriedade estas canções que fazem parte da minha formação musical”, afirma Milton. Em outro momento, ele revela que o espetáculo acabou se transformando em “um passeio pela história do Lulu” e promete ao público cearense “muitos sucessos para cantarmos juntos”.
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado, o cantor fala sobre os desafios da carreira solo, a experiência de trabalhar com artistas como Roberto Carlos, Rita Lee, Gilberto Gil e Caetano Veloso, além das histórias e lembranças que ajudaram a construir o projeto que chega a Fortaleza.
O ESTADO – Depois de décadas dividindo os palcos com Lulu Santos e participando diretamente da construção de parte dessa história, o que mudou na sua percepção sobre essas canções ao revisitá-las agora como protagonista do espetáculo “Milton Canta Lulu”?
MILTON GUEDES – Me sinto um privilegiado por poder carregar com propriedade estas canções que fazem parte da minha formação musical, mas com todo o respeito e cuidado que elas merecem. Sinto como se elas fossem quase minhas e tento ao máximo trazer estas memórias às pessoas.
O ESTADO – Sua trajetória sempre transitou entre os bastidores e os holofotes, seja como saxofonista, compositor ou cantor. Em que momento você sentiu que era hora de colocar a própria voz no centro da narrativa e investir definitivamente na carreira solo?
MILTON GUEDES – Há pouco mais de 15 anos, senti que era hora de virar esta chave, pensar no futuro e investir na longevidade. Tive o privilégio de acompanhar muitos dos meus ídolos durante anos. Aprendi muito com eles e hoje busco uma autoralidade em meus shows, mesmo cantando canções que não são minhas. O público entendeu que posso me apropriar dessas canções e levá-las como se fossem minhas.
O ESTADO – Você já trabalhou com nomes como Roberto Carlos, Rita Lee, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Sandy & Junior. Que ensinamentos desses encontros continuam presentes na sua maneira de fazer música e de subir ao palco?
MILTON GUEDES – O maior ensinamento que tive tocando e cantando com grandes nomes foi ver de perto o profissionalismo com o qual estes artistas administram suas carreiras. O cuidado e a seriedade com suas produções e suas canções. Esse é o segredo da longevidade no meio musical. Levo isso para a vida e para o palco.
O ESTADO – O show em Fortaleza foi concebido com uma cenografia que faz referências a diferentes fases da carreira de Lulu Santos. Como foi o processo de transformar memórias pessoais e experiências vividas ao lado dele em uma experiência visual e afetiva para o público?
MILTON GUEDES – A ideia inicial era apenas ter um show com canções do Lulu, mas senti que seria leviano apenas tocá-las como todo mundo. Por isso, resolvi transformar um show que seria comum em uma homenagem merecida ao grande artista que é Lulu Santos. Produzi o show junto com minha empresária Sonia Fossati e uma amiga produtora e fã de muitos anos do Lulu, Gisela Schlogell, que nos apresentou um esboço de cenário que mudaria toda a concepção do espetáculo. Mudei o roteiro para adequar o show a um passeio pela história do Lulu e, claro, da minha participação nesta história enquanto estive nas turnês. O resultado é uma imersão e um resgate às memórias que tantos sucessos nos trazem.
O ESTADO – Você é autor de sucessos gravados por artistas de diferentes gerações. Ao olhar para essa trajetória, o que considera mais desafiador: compor para outros intérpretes ou reinterpretar obras que marcaram a vida de milhões de brasileiros?
MILTON GUEDES – Compor ainda é algo bem difícil para mim. Me acostumei com um nível musical muito alto acompanhando tantos grandes nomes e acabo sendo crítico demais com meu trabalho autoral, por isso os hiatos entre meus discos. Ainda trabalho isso, mas me liberto quando componho para outros artistas, como se passasse a responsabilidade para eles (risos).
O ESTADO – Fortaleza sempre recebeu grandes turnês da música brasileira e possui um público bastante apaixonado. O que os cearenses podem esperar de especial desta apresentação e quais histórias dos bastidores com Lulu Santos você pretende compartilhar durante o espetáculo?
MILTON GUEDES – Fiz grandes shows em Fortaleza acompanhando grandes artistas. Vai ser uma honra fazer meu primeiro show solo na cidade, e ainda com esta homenagem. O público pode esperar muitos sucessos para cantarmos juntos, além de algumas histórias que marcaram minha participação nos shows do Lulu desde o dia em que ele me encontrou em um estúdio no Rio de Janeiro e me convidou para fazer parte de sua banda. O resto é surpresa!
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