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Ceará / 08.08.2026

Miastenia gravis ganha visibilidade após Covid e diagnóstico do jornalista Alex Escobar

Uma doença autoimune cujo nome técnico ainda é pouco conhecido entre os brasileiros voltou a ganhar espaço no noticiário. A miastenia gravis, que também chamou a atenção da comunid...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 08/08/2026 às 08:10

Miastenia gravis ganha visibilidade após Covid e diagnóstico do jornalista Alex Escobar
© FONTE: Ceará Agora

Uma doença autoimune cujo nome técnico ainda é pouco conhecido entre os brasileiros voltou a ganhar espaço no noticiário. A miastenia gravis, que também chamou a atenção da comunidade médica durante a pandemia de Covid-19, agora desperta maior interesse após o diagnóstico do jornalista e apresentador Alex Escobar, que deixou a cobertura da Copa do Mundo depois de passar mal ao vivo.

Escobar foi submetido, na última quinta-feira (6), a uma cirurgia para a retirada de um tumor de “aparência benigna” no timo, órgão localizado no tórax e que participa da regulação do sistema imunológico. Alterações no timo podem estar associadas à miastenia gravis.

A doença provoca fraqueza muscular e ocorre quando o próprio sistema imunológico interfere na comunicação entre os nervos e os músculos.

De acordo com Diogo Haddad, coordenador do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o organismo produz anticorpos que prejudicam essa comunicação.

Uma das características mais marcantes da miastenia gravis é a fraqueza que aumenta com o esforço e tende a melhorar após o repouso.

Entre os sintomas estão queda das pálpebras, visão dupla, dificuldade para falar, mastigar ou engolir e fraqueza nos braços e nas pernas. Nos quadros mais graves, a doença pode comprometer os músculos responsáveis pela respiração, situação que exige atendimento médico imediato.

DOENÇA TAMBÉM CHAMOU ATENÇÃO APÓS A COVID

A miastenia gravis ganhou maior atenção durante e após a pandemia diante de relatos e estudos envolvendo manifestações da doença em associação temporal com a Covid-19. A infecção também trouxe para o debate diferentes complicações neuromusculares entre pacientes, especialmente aqueles submetidos a internações prolongadas.

Apesar de o diagnóstico poder assustar, o neurologista destaca que atualmente existem diferentes alternativas para controlar a doença.

“É uma doença que pode assustar no diagnóstico, mas hoje temos diferentes formas de tratamento e, na grande maioria dos casos, conseguimos obter um bom controle dos sintomas”, afirma Haddad, em declaração publicada pelo UOL.

Além dos tratamentos tradicionais, novas terapias passaram a atuar de maneira mais específica sobre diferentes mecanismos do sistema imunológico. Isso ampliou as possibilidades principalmente para pacientes que não apresentam resposta adequada às opções convencionais.

Em situações de agravamento, segundo o especialista, podem ser utilizadas imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese, procedimentos destinados a proporcionar uma resposta mais rápida.

RELAÇÃO COM O TIMO

No caso de Alex Escobar, outro ponto chama a atenção: o tumor retirado estava localizado justamente no timo, órgão que possui uma conhecida relação com a miastenia gravis.

O timo participa do desenvolvimento e da regulação do sistema imunológico, e alterações nesse órgão são encontradas em parte dos pacientes com a doença. A presença de um tumor no timo, chamado timoma, pode estar associada à miastenia, embora nem todo paciente com a doença apresente tumor.

O tempo de recuperação varia de uma pessoa para outra. Segundo Haddad, alguns pacientes conseguem permanecer praticamente sem sintomas com o tratamento, enquanto outros precisam de acompanhamento médico e medicamentos por períodos prolongados.

O objetivo, destaca o neurologista, é controlar a fraqueza muscular e permitir que o paciente retome suas atividades e sua rotina com o menor grau possível de limitação.

O diagnóstico de Alex Escobar acaba, assim, dando nova visibilidade a uma doença de nome ainda pouco familiar para boa parte da população, mas que exige atenção principalmente quando a fraqueza muscular passa a comprometer funções como fala, deglutição e respiração.

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