Mercado eleva projeções para juros, inflação e dólar após reeleição de Lula
Economistas do mercado financeiro elevaram as projeções para juros, inflação e dólar até 2029 no primeiro Boletim Focus pós eleições. Ao mesmo tempo, reduziram as estimativas para ...
POR O ESTADO
Publicado em 04/11/2026 às 06:00
Economistas do mercado financeiro elevaram as projeções para juros, inflação e dólar até 2029 no primeiro Boletim Focus pós eleições. Ao mesmo tempo, reduziram as estimativas para o crescimento da economia, refletindo uma percepção mais cautelosa sobre o cenário fiscal e a condução da política econômica nos próximos anos.
Para o fim de 2026, a expectativa para a taxa Selic subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. No levantamento anterior, realizado antes do segundo turno, os analistas projetavam dois cortes de 0,25 ponto percentual, um na reunião do Comitê de Política Monetária desta semana e outro em dezembro. Agora, a mediana do Focus aponta apenas uma redução, para 13,5%, seguida de manutenção da taxa nesse patamar até o fim do ano.
As projeções para os anos seguintes também foram revistas para cima. A Selic esperada para 2027 passou de 11,75% para 12,5%. Para 2028, a estimativa subiu de 10% para 11%, enquanto, para 2029, avançou de 10% para 10,25%.
O movimento foi acompanhado por uma piora nas expectativas de inflação. Os economistas passaram a projetar alta de 5,22% para o IPCA em 2026, de 4,76% em 2027, de 4% em 2028 e de 3,98% em 2029. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
No câmbio, a estimativa para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34. Nesta terça-feira, a PTAX do Banco Central fechou em R$ 5,4935 na taxa de venda, mostrando que o mercado à vista já opera acima da projeção mediana para o fim do ano.
Enquanto juros, inflação e dólar tiveram projeções elevadas, as expectativas para a atividade econômica recuaram. O crescimento estimado do Produto Interno Bruto em 2026 caiu de 1,8% para 1,76%. Para 2027, a previsão passou de 1,31% para 1,2%, e, para 2028, de 1,81% para 1,8%. A projeção para 2029 permaneceu em 2%.
A combinação de inflação mais alta, juros elevados por mais tempo e menor crescimento representa um desafio adicional para a política econômica. Caso as expectativas de inflação continuem se afastando da meta, o Banco Central tende a ter menos espaço para promover cortes mais agressivos na Selic, prolongando o custo elevado do crédito para empresas e consumidores.
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