Macron proíbe protestos “ilegítimos”, e lojas se preparam em meio a temor de nova onda de violência
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nessa quinta-feira (22) que protestos “ilegítimos” serão proibidos nos próximos dias e responsabilizou grupos da extrema esquerda e...
POR O ESTADO
Publicado em 23/10/2026 às 05:56
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nessa quinta-feira (22) que protestos “ilegítimos” serão proibidos nos próximos dias e responsabilizou grupos da extrema esquerda e vândalos pela onda de violência durante os protestos do último fim de semana. “Queremos um retorno à calma.” Após reunião com chefes dos serviços de inteligência e ministros do governo no Palácio do Eliseu, Macron anunciou que, neste sábado (17), serão autorizadas apenas manifestações organizadas por sindicatos e que elas poderão ser desviadas para trajetos alternativos para proteger estabelecimentos comerciais.
“A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias”. Reivindicações apresentadas por “pessoas que não têm nenhuma legitimidade para isso” serão rejeitadas. “Não é o momento”, advertiu.
Macron afirmou que, no último fim de semana houve, organizados de extrema esquerda tentaram derrubar a República durante os distúrbios. Os serviços de inteligência são acusados de não terem previsto a dimensão da mobilização de sábado passado. Nessa quarta-feira (21), o presidente já havia dito que não deve haver hesitação no topo do Estado na hora de punir os manifestantes envolvidos nos distúrbios.
A fala ocorre enquanto autoridades de todo o país se preparam para novos protestos. Em Lyon, segunda maior cidade do país, todos os atos previstos para sábado foram proibidos. Rouen e Toulon também vetaram os protestos, decisão vista pela oposição como restrição às liberdades.
Ainda assim, novas manifestações já começam a se organizar. A principal entidade estudantil da França, a Unef, convocou atos, e o movimento dos Coletes Amarelos anunciou uma marcha pelo centro de Paris. Os estudantes secundaristas, mobilizados desde setembro por mais recursos para as escolas, também aderiram. Os sindicatos preveem ainda uma greve geral e manifestações em 5 de novembro.
Um protesto estudantil marcado para esta quinta em Paris foi proibido, e as autoridades de transporte fecharam estações de metrô no centro da capital para evitar aglomerações não autorizadas. Segundo o ministro da Justiça, 217 pessoas foram presas por envolvimento nos distúrbios.
No fim de semana, o governo mobilizará veículos blindados, helicópteros e militares. O nível de mobilização será 20% superior ao da semana passada, anunciou o ministro delegado do Interior, Jean-Didier Berger.
Comerciantes do centro de Paris começaram a cobrir vitrines com tapumes, e muitos decidiram manter as portas fechadas no sábado. A Hermès disse ter reforçado a segurança das lojas no país.
Parte dos lojistas duvida da capacidade das autoridades de conter os manifestantes e tem recorrido a armas de defesa de venda livre, segundo a agência RFI. A dona de um restaurante vietnamita disse à rádio FranceInfo ter comprado um taser e um cassetete.
De acordo com a imprensa local, uma loja de artigos de defesa registrou uma “explosão da demanda” por sprays de defesa e dispositivos de gás incapacitante. Em paralelo, comerciantes articulam nas redes a campanha “Braçadeira Preta”, que convoca uma mobilização nacional para proteger lojas de depredações e saques.
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