Lista militar chinesa leva Alibaba a processar governo dos EUA
Alibaba processa o governo dos EUA após ser incluída em lista de empresas militares chinesas, intensificando a disputa tecnológica. O post Lista militar chinesa leva Alibaba a pro...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 24/06/2026 às 01:52

O gigante chinês do comércio eletrônico e tecnologia, Alibaba Group, deu um passo significativo na escalada das tensões comerciais e tecnológicas entre Estados Unidos e China. A empresa anunciou nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, que entrou com um processo contra o governo norte-americano. A ação judicial ocorre após o Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) ter incluído o Alibaba em uma lista de companhias chinesas supostamente ligadas às Forças Armadas do país asiático, uma designação que a empresa contesta veementemente.
O processo foi protocolado no tribunal federal de San Jose, na Califórnia, e representa um desafio direto à política de Washington de identificar e restringir empresas chinesas que considera ameaças à segurança nacional. A decisão do Alibaba de recorrer à justiça sublinha a gravidade das acusações e o impacto potencial na sua reputação e operações globais, especialmente no mercado americano.
Pentágono Acusa e Alibaba Reage na Justiça
A inclusão do Alibaba na controversa lista do Pentágono ocorreu em 8 de junho, quando mais 188 empresas chinesas foram adicionadas. Segundo o governo dos EUA, essas companhias serviriam como um meio para as Forças Armadas da China explorarem o setor privado em busca de avanços tecnológicos, no que é conhecido como estratégia de “fusão militar-civil”.
Especificamente, os Estados Unidos alegam que o Alibaba é um “contribuinte de fusão militar-civil para a base industrial de defesa chinesa” devido a uma suposta afiliação com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China. Além disso, o governo norte-americano aponta para ligações indiretas da empresa com o SASAC, o órgão regulador de ativos estatais da China, reforçando a percepção de controle estatal sobre a gigante tecnológica.
A Defesa Veemente do Alibaba Contra as Alegações
Em resposta às acusações, o Alibaba declarou categoricamente que as afirmações do governo dos EUA “não têm qualquer fundamento em fatos ou na lei”. A empresa enfatizou que sua gestão é conduzida por um conselho independente, que, segundo ela, “não possui qualquer ligação com as Forças Armadas” chinesas.
A companhia defendeu que seus produtos e serviços são focados em varejo, logística e tecnologia da informação empresarial, e não em áreas como armas, defesa ou inteligência. O Alibaba argumentou que rotulá-la como uma empresa militar chinesa a classifica como um instrumento das Forças Armadas chinesas e uma ameaça à segurança nacional dos EUA, o que “prejudica diretamente a reputação do Alibaba e lança uma sombra sobre todos os relacionamentos que a empresa mantém com os EUA”. O Pentágono, por sua vez, recusou-se a comentar o caso, citando a política de não discutir processos judiciais em andamento, conforme reportado pela Reuters.
Outras Gigantes Chinesas na Mira de Washington
A designação do Alibaba não é um caso isolado. A lista de “empresas militares chinesas” do Pentágono inclui outras companhias de grande porte e influência global. Entre elas estão a Baidu, gigante da tecnologia e buscas na internet, e as montadoras de veículos elétricos BYD e NIO, que têm expandido sua presença em mercados internacionais.
Outra empresa que também entrou com uma ação judicial semelhante contra o governo dos EUA foi a WuXi AppTec, uma proeminente companhia de pesquisa e desenvolvimento farmacêutico, que iniciou seu processo em 11 de junho. Essa onda de processos judiciais demonstra a determinação das empresas chinesas em contestar as restrições impostas por Washington, que veem como injustificadas e prejudiciais aos seus negócios.
Escalada das Tensões e a Resposta de Pequim
A disputa entre EUA e China tem visto uma série de retaliações mútuas. Em um movimento que reflete a crescente tensão, a China respondeu às medidas americanas na última segunda-feira, 22 de junho de 2026. Pequim incluiu 10 empresas dos EUA em sua própria lista de controle de exportações, proibindo a venda de produtos chineses de uso duplo – aqueles com aplicações civis e militares – para essas companhias.
A medida chinesa também impede que terceiros transfiram esses produtos para as empresas americanas afetadas. A decisão de Pequim atinge principalmente setores estratégicos, como defesa, drones, tecnologia militar e terras-raras, incluindo fabricantes de equipamentos militares e produtoras de minerais cruciais como MP Materials e USA Rare Earth. Este movimento sinaliza que a China pretende responder a novas ações dos norte-americanos com medidas equivalentes, intensificando ainda mais a guerra comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.
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