Leilão bilionário de energia que pode gerar 4,5 mil empregos no Ceará entra na mira de disputa política e empresarial
O leilão de energia realizado pelo Governo Federal em março deste ano, responsável por contratar 19 gigawatts (GW) de potência e que pode gerar cerca de 4,5 mil empregos e atrair m...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 13/05/2026 às 21:42
O leilão de energia realizado pelo Governo Federal em março deste ano, responsável por contratar 19 gigawatts (GW) de potência e que pode gerar cerca de 4,5 mil empregos e atrair mais de R$ 10 bilhões em investimentos para o Ceará, passou a ser alvo de ataques políticos e empresariais nos últimos dias.
A possível suspensão do certame preocupa setores ligados ao desenvolvimento econômico do Estado, especialmente pelos impactos diretos previstos para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap), promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), ocorreu após três anos de espera e teve como objetivo reforçar a segurança energética do país.
O modelo prevê contratação de usinas “reserva”, destinadas a garantir fornecimento contínuo de energia em momentos críticos, como horários de pico de consumo ou períodos prolongados de estiagem.
O leilão foi o maior da história do setor elétrico brasileiro e contratou, principalmente, usinas termelétricas movidas a gás natural.
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o novo modelo deverá gerar economia estimada em R$ 94 bilhões até o fim dos contratos, substituindo acordos antigos e considerados mais caros.
CEARÁ ENTRE OS PRINCIPAIS BENEFICIADOS
O Ceará aparece entre os estados mais beneficiados pelo resultado do leilão. Um dos projetos aprovados prevê a implantação de um hub de gás natural no Complexo do Pecém, com capacidade para movimentar cerca de 18 milhões de metros cúbicos de gás por ano.
O projeto também prevê:
- construção do chamado “Píer Zero” no Porto do Pecém;
- investimento estimado em R$ 430 milhões;
- ampliação da infraestrutura logística e energética;
- construção de gasodutos para abastecimento das usinas e indústrias cearenses.
O setor produtivo avalia que os investimentos poderão ampliar a competitividade industrial do Ceará, atrair novas empresas e fortalecer a geração de emprego e renda.
DISPUTA ENVOLVE SETOR DE ENERGIAS RENOVÁVEIS
Apesar dos benefícios projetados, o leilão vem sendo contestado por empresários e representantes do setor de energias renováveis, que defendem maior participação de fontes como solar e eólica na contratação de potência.
O deputado federal Danilo Forte (PP-CE) está entre os principais críticos do processo. Danilo apresentou denúncias de supostas irregularidades ao Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal e Ministério Público Federal. O TCU, no entanto, rejeitou pedidos de suspensão do certame.
GOVERNO DEFENDE LISURA E NECESSIDADE DO LEILÃO
O Ministério de Minas e Energia sustenta que o leilão foi conduzido com transparência e ampla participação do setor.
Segundo o governo, desde 2024 foram realizadas consultas públicas e análises técnicas para definição do modelo adotado.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também vem defendendo a necessidade da contratação para evitar riscos de apagões diante do aumento do consumo de energia no país.
Na avaliação do ONS, o modelo aprovado no leilão garante maior estabilidade ao sistema elétrico nacional, independentemente de fatores climáticos como ausência de vento ou chuvas.